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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

01
Nov17

Trabalhar (só) com mulheres?! Livra...

Mulheres no trabalho.jpg

 

No passado mês de outubro, fez um ano que eu saí de uma empresa onde só trabalhavam mulheres – com exceção de mim e do patrão – e a melhor coisa que o meu antigo patrão fez, para além da minha contratação, foi a minha não renovação do contrato.

 

Talvez das poucas experiências que eu não tenciono repetir na minha vida: trabalhar durante 3 anos com cerca de 13 mulheres.

 

Sim, eu já estive com 13 mulheres, mas não foi num harém nem tão-pouco num "paraíso". Antes pelo contrário, parecia um "inferno" onde a inveja e a mesquinhez prevaleciam e se sobreponham ao espírito de equipa e de entreajuda. Felizmente, não eram todas iguais, mas mal se notavam as que eram diferentes, tais eram as más energias que ali se faziam sentir.

 

Tudo começou já na entrevista:

 

– Apresento-lhe o seu novo colega que lhe vai ajudar nas suas tarefas antes que você apresente baixa por causa do excesso de trabalho.

 

– Para me ajudar?! Agora já não é preciso...

 

– Ai não?! Enfim, de qualquer forma, vamos dar uma oportunidade ao novo colega e logo vemos como fazemos. Para já, ele vai fazer uma parte do trabalho que eu é que fazia até agora.

 

Escusado será dizer que, passado um mês, e já depois de eu ter assinado um contrato de trabalho por 6 meses, a minha colega de gabinete fez questão de sugerir que, para além das tarefas que o patrão me tinha incumbido, o melhor mesmo era eu começar a fazer o mesmo trabalho que ela fazia, ainda que ganhando metade do que ela ganhava.

 

– Está com muito trabalho?

 

– Nem por isso. Neste exato momento, não tenho nada.

 

– Então, se calhar, o melhor é começar a fazer o mesmo que eu faço.

 

– Sim, claro. Por mim, pode ser.

 

Como foi partilhar o gabinete com uma mulher?!

 

Foi bom, dentro do impossível, até porque raramente falávamos, a não ser quando era estritamente necessário:

 

– Você é licenciado?

 

– Sim, sou. Quero dizer, também tirei um mestrado, mas de pouco ou nada me tem servido.

 

– Com uma licenciatura e um mestrado, o que é que você está aqui a fazer?

 

– Pois, nem eu próprio sei, mas a verdade é que não está fácil encontrar trabalho. Ainda assim, espero encontrar algo na minha área e não ficar aqui muito tempo.

 

[Porquê o espanto dela? Porque eu tinha sido contratado como empregado de escritório estagiário para ganhar o salário mínimo. Na prática, era o meu primeiro emprego no setor privado e eu só tinha era de estar grato, não fosse o ambiente (de fugir) que ali se vivia...]

 

Depois disto, acho que ela ficou bem mais tranquila, mas sempre à espreita:

 

– Eu já lhe enviei as minutas que deve utilizar para fazer o trabalho. – disse-me uma única vez, sem explicar as diferenças entre elas, sendo que as minutas eram demasiado semelhantes para eu conseguir distingui-las sem qualquer explicação.

 

E ao meu primeiro erro:

 

– Isto não pode ser assim. Vou já falar com o patrão!

 

[Só para que conste: Por lá já havia passado um homem que não aguentou muito tempo sem a chamar de «frustrada» e sair porta fora.]

 

E para que não pensem que ela era única, existiam mais 5 ou 6 mulheres que eram exatamente iguais a ela, tipo fotocópias, sendo que uma delas era a esposa do patrão.

 

– Ninguém gosta muito daquela colega do piso de baixo, pois não?

 

– Ela é a esposa do patrão!

 

E foi só depois desta informação que eu percebi porque é que a esposa do patrão não se dava nada bem com a loira, alta, que andava sempre de saltos altos – quando não os tirava e andava descalça – e que, para seu azar, era o braço direito do seu marido. E raras eram as discussões entre ambas que não se ouviam nos corredores, mas quando alguém falava e/ou ria um pouco mais alto, era logo chamado à atenção:

 

– Não devem falar tão alto porque passa má imagem...

 

A esposa do patrão?!

 

Bem, a esposa do patrão era uma "figurinha". Era aquela que se autointitulava como «Responsável dos Recursos Humanos», como se naquela empresa houvessem seres humanos e ela fosse responsável. Na prática, ela não era nem mais nem menos do que aquela que supervisionava o trabalho dos outros – quando não tinha mais nada de interessante para fazer, como, por exemplo, ir ao cabeleireiro ou às compras – e que mandava e-mails com letras maiúsculas a informar que todos os requerimentos deveriam passar por ela para sua verificação e correção ortográfica. O mais estranho era que, sempre que ela mandava um destes e-mails, eu detetava erros gramaticais grosseiros, nomeadamente vírgulas a separarem o sujeito do predicado.

 

[Na verdade, erros gramaticais em requerimentos era o que eu mais detetava naquela empresa, começando pelos requerimentos elaborados pelo patrão até os requerimentos revistos pela sua mulher. E era isto o que mais me desmotivava no meu trabalho: mandar requerimentos sem erros gramaticais para revisão e recebê-los de volta com erros gramaticais grosseiros, só porque o Word não os detetava.]

 

E quando chegava a hora do café:

 

– Colega, vais ao café?

 

– Sim, vou já.

 

Dos poucos diálogos que se ouviam diariamente no meu gabinete, com a particularidade de que este não era estabelecido entre mim e a minha colega de gabinete, mas sim entre ela e a colega do gabinete do lado, até porque ela não me tratava por "tu".

 

E foi na sequência deste diálogo repetitivo que, depois de um ano, decidi meter conversa com uma colega de um outro gabinete que parecia também invisível:

 

– Olha lá, nunca te sentiste vítima de bullying aqui no trabalho?

 

– Desde o primeiro dia...

 

– Vamos ao café?

 

– Sim, claro.

 

E foi só a partir deste dia que eu comecei a ir ao café – com ela e com a loira, aquela que convivia muito com a mulher do patrão – e tudo passou a ser bem mais agradável, tirando os olhares fulgentes das colegas, claro.

 

O que tínhamos em comum?!

 

Para além de termos frequentado o ensino superior e estarmos à procura de uma oportunidade de trabalho bem melhor do que aquela, um caráter e uma forma de viver e conviver em sociedade claramente superiores àqueles seres aracnídeos que por lá andavam.

 

[O termo «aracnídeos» tem toda uma explicação, mas não posso concretizar mais do que isto, sob pena de denunciar a empresa e os ditos seres.]

 

Para além destas duas colegas, com quem é que eu me dava bem?!

 

Com uma colega que trabalhava do outro lado do mar, a mais de 900 km de distância, também ela vítima de bullying.

 

[É verdade, por mais inacreditável que possa parecer, acreditem: dá para fazer bullying por telefone e/ou por e-mails.]

 

E naqueles três anos que eu lá estive, os cenários eram estes:

 

  • Cenário 1

 

Sempre que o contrato de uma colega indesejada não era renovado, sorrisos estampados na caras daqueles seres miseráveis, que mais pareciam ter recebido um aumento de salário, seguidos de comentários totalmente previsíveis, ou não fossem elas umas mentecaptas:

 

– A colega não ia se demitir? Ainda a vejo por cá...

 

  • Cenário 2

 

Sempre que uma nova colega era contratada, o barulho de cotovelos a roçarem nas esquinas das mesas, seguido de comentários a roçarem o ridículo:

 

– Há pessoas que não fazem nada cá dentro e ainda contratam mais pessoas?! Sinceramente, não entendo...

 

[Sim, era a minha colega de gabinete a dizê-lo ao telefone, em voz alta...]

 

Depois de tudo isto, lá chegou o dia em que eu tive as minhas quezílias com a esposa do patrão e com o próprio patrão e o meu contrato não foi mais renovado, felizmente, pois a pior coisa que me poderia acontecer era ficar efetivo numa empresa habitada por mulheres da Idade da Pedra que se confundiam com os calhaus das praias de rocha que existem na ilha, liderada por um homem que havia acabado de ser condenado a dois anos e seis meses de prisão efetiva por corrupção.

 

E como não poderia deixar de ser, antes de sair, mandei um e-mail para o patrão – com conhecimento para todas as colegas, claro – a dar conta de como era trabalhar naquela empresa. Muito provavelmente, dos e-mails que mais gozo me deu escrever e receber os recibos de leitura.

 

No final, saí eu, saiu a loira, saiu a colega "invisível", saiu uma outra colega que havia entrado mais tarde e que também era vítima de bullying e até uma senhora com idade para dar uns tabefes naquela gente toda acabou por sair, a chorar, porque fizeram-lhe de tudo e mais alguma coisa menos respeitá-la.

 

E lá ficaram os mesmos calhaus de sempre para mais tarde se atirarem uns aos outros quando já não tiverem mais ninguém a quem se atirar!

 

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