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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

07
Mar20

Parem de falar mal do SNS, porra!

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Toda a gente fala mal do Serviço Nacional de Saúde (SNS): políticos, médicos, enfermeiros, doentes,... os mortos só não falam mal porque, depois de mortos, já não conseguem falar, senão também falavam. Enfim, toda a gente fala mal do SNS como se os problemas deste serviço fosse culpa de uma entidade oculta ou se não houvesse almas vivas responsáveis pelo que de mau existe neste serviço. Pois bem, há responsáveis e não são poucos. São muitos até. E não me refiro apenas aos "profissionais" de saúde. Refiro-me a todos nós, quando não reclamamos nem fazemos nada para melhorar. De uma vez por todas, parem de falar mal do SNS e façam alguma coisa, porra!

 

Hoje, dia 7 de Março de 2020, dei entrada no Hospital Doutor Nélio Mendonça, no Funchal, com uma (suposta) reação alérgica a um antibiótico, que me deixou com a minha cabeça, tronco e membros (superiores) cheio de manchas vermelhas. Nunca me tinha acontecido nada assim e foi por isso que eu fui logo a correr para o hospital. Desde o primeiro minuto em que entrei no hospital até o minuto em que saí, foi mais ou menos assim:

 

5h15 – Dei entrada no serviço de urgências do Hospital Doutor Nélio Mendonça, no Funchal, com uma (suposta) alergia a um antibiótico (Amoxicilina).

[Só para que conste: Eu nunca tinha feito qualquer reação alérgica a este ou a qualquer outro medicamento, mas desta vez o meu tronco ficou com mais pintas vermelhas do que quando eu tive varicela.] 

 

5h45 – Uma médica fez atendimento durante 15 minutos a duas ou três pessoas (que estavam na sala de espera e deixaram de estar) e logo depois desapareceu. Eu era o quarto e penúltimo doente que estava à espera de ser atendido, mas, quando me apercebi, a médica já lá não estava. 

[Pelo que percebi, através de uma chamada telefónica, ela tinha ido descansar e não queria ser incomodada. Se não acreditam, falem com o rapaz cujos resultados dos exames eram conhecidos às 2 horas da manhã, mas que só teve alta às 8 horas, já depois de a equipa de serviço ter sido trocada.]

 

7h30 – Fui atendido. Deram-me uma injeção para a reação alérgica que me fez apagar por completo – acho que faleci por instantes – e deixaram-me numa cama a fazer antibiótico para a infeção na garganta;

 

9h30 – A medicação intravenosa terminou. Informei várias enfermeiras que a medicação já tinha acabado, para que o médico me chamasse e me observasse. Fiz isto vezes sem conta durante duas horas, sem qualquer sucesso. 

 

11h30 – O médico chamou-me para me perguntar como é que eu me estava a sentir. Perguntou-me se eu queria fazer análises. Como eu era o doente e não o médico, disse-lhe que ele é que sabia. De seguida, pediu à enfermeira para proceder à recolha de sangue para fazerem análises. 

 

11h45 – Pedi à enfermeira que alguém me trouxesse um pedaço de pão porque estava há mais de 13 horas sem comer. 

 

12h15 – A enfermeira procedeu à recolha de sangue, deu-me Paracetamol (via intravenosa) e disse-me que os resultados iam demorar pelo menos duas horas... Entretanto, pediu a uma assistente operacional que me trouxesse pão. 

 

13h00 – A assistente operacional entregou-me uma carcaça com manteiga. Minutos depois, a enfermeira trouxe-me um chá. 

 

14h00 – O médico chamou-me à sala de tratamento. Disse-me que as análises acusaram uma infeção, que, muito provavelmente, seria a infeção da garganta. Receitou-me outro antibiótico para a garganta e para os olhos. Quanto à reação alérgica, não me deu certezas de que eu seja alérgico ao medicamento, mas que, a partir de agora, sempre que eu for ao médico, devo dizer que fiz reação à Amoxicilina.

[Para quem não sabe, a Amoxicilina é uma penicilina... Porra!] 

 

14h30 – Saí do hospital sem fazer qualquer reclamação por escrito, mas só porque o cansaço acumulado das noites perdidas e de ter lá estado durante 8 horas sem comer deram cabo de mim. Só queria ir para casa comer e descansar.

[Não reclamei, mas espero conseguir alcançar com este texto na Internet algo maior do que alcançaria com uma simples reclamação por escrito num Livro de Reclamações que (quase) ninguém lê.]

 

Resumindo e concluindo:

Toda a gente fala mal do Serviço Nacional de Saúde (SNS): políticos, médicos, enfermeiros, doentes,... os mortos só não falam mal porque, depois de mortos, já não conseguem falar, senão também falavam. Enfim, toda a gente fala mal do SNS, como se os problemas deste serviço fosse culpa de uma entidade oculta ou se não houvesse almas vivas responsáveis pelo que de mau existe neste serviço. Pois bem, há responsáveis e não são poucos. São muitos até. E não me refiro apenas aos "profissionais" de saúde. Refiro-me a todos nós, quando não reclamamos nem fazemos nada para melhorar.

De uma vez por todas, parem de falar mal do SNS e façam alguma coisa, porra!

 

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