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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

18
Ago17

Os incêndios, os jornalistas, os concertos e o papel do governo!

Incêndios.jpg

 

É impressão minha ou os planos televisivos de cobertura dos incêndios parecem que foram mais bem pensados do que as próprias cenas de combate aos incêndios?!

 

Câmara de filmar, bombeiros a correrem de um lado para o outro – sem saberem muito bem o que fazer, mas só porque estão a ser filmados –, mangueiras, carros, helicópteros, fumo,… Enfim, todo o aparato que qualquer incêndio que destrói florestas e/ou faz vítimas mortais merece, quando, de repente, vinda não se sabe bem de onde, a voz de uma jornalista a relatar factos bem menos relevantes do que aquele que estamos a presenciar naquele exato momento: bombeiros a atrapalhar o trabalho de uma jornalista!

 

Sim, bombeiros a atrapalhar o trabalho de uma jornalista, pois são os bombeiros que se afastam para a jornalista passar – em passo de desfile, até à câmara – e não o contrário.

 

Enfim, pegassem os bombeiros na jornalista ao colo no trajeto até à câmara e teríamos uma cena digna de um filme musical, ao som das sirenes dos bombeiros e/ou das hélices dos helicópteros, com figurantes a gritarem de um lado para o outro.

 

E antes que pensem e/ou digam que eu estou a falar de Judite de Sousa: Não, não estou, pois este cenário em nada se compara com aquele que Judite de Sousa proporcionou em Pedrogão Grande. Aliás, nada se compara às reportagens mórbidas deste verdadeiro monstro da comunicação.

 

Para quê tanto?!

 

Pois, não sei. Talvez para colocarem no seu Curriculum Vitae, na parte da experiência profissional: 

 

– Cobertura de grandes incêndios que devastaram milhares de hectares de floresta e/ou que provocaram vítimas mortais.

 

Descrição das funções exercidas: importunação das pessoas que fugiam das suas casas e/ou que lamentavam a morte dos seus entes queridos; importunação do trabalho dos bombeiros e de todos aqueles que tentavam combater as chamas dos incêndios; importunação de todos aqueles que assistiam à evolução dos incêndios pela televisão com detalhes e reportagens ridículas; realização de entrevistas a cadáveres; oração a Deus para que a minha reportagem tivesse milhares de views e eu fosse alvo de um louvor público por parte do Presidente da República; ateamento de fogo à mata só para continuar a ter trabalho e não ficar desempregado; discurso incessante e cansativo durante todas as reportagens em direto, até mesmo naquele exato momento em que a Assembleia da República apelou a um minuto de silêncio.

 

E depois dos incêndios,... os concertos!

 

Sim, os concertos, aqueles que se fazem para homenagear as vítimas mortais e/ou arrecadar dinheiro para ajudar financeiramente os sobreviventes dos incêndios, mas que mais parece que servem para dar música ao povo e/ou promover o trabalho de alguns cantores que andam sem nada para fazer a não ser dar puns.

 

[Uma sugestão: Se for para eu fazer o que mais gosto e estar meia hora de pé a contar umas histórias, contem comigo. Só não garanto é que as pessoas gostem e/ou apladam no fim.]

 

Se quero com isto dizer que estes concertos de pouco ou nada servem?!

 

Não, claro que não. Aliás, muito pelo contrário. Servem e não é pouco, demasiado até. Por exemplo, o concerto de homenagem/ajuda às vítimas do incêndio de Pedrogão Grande serviu para arrecadar mais de um milhão de euros só em receitas de bilhetes e chamadas telefónicas. E não são só os concertos e/ou as chamadas telefónicas que servem para arrecadar dinheiro. As contas bancárias solidárias também. Segundo consta, as contas bancárias solidárias serviram para arrecadar cerca de 5 milhões de euros. No total, mais de 13 milhões de euros foram arrecadados em nome das vítimas de Pedrogão Grande. Pena é que este dinheiro não sirva de muito, pois os incêndios voltaram e os meios de combate são exatamente os mesmos, tirando os que chegam de Espanha.

 

Ainda assim, e porque ainda é muito cedo para que o dinheiro arrecadado possa ser utilizado (ainda se contam as notas, enquanto se metem algumas no bolso), não me parece que este tipo de solidariedade vá resolver o problema dos incêndios no futuro. Aliás, ou muito me engano ou só serve para que o governo não altere as suas prioridades no orçamento de Estado e continue a utilizar o dinheiro dos contribuintes como bem entende e não como deve ser.

 

E se me vão dizer que o dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes não dá para tudo e que o governo não consegue fazer face aos custos que implicam o combate e prevenção dos incêndios nas nossas florestas, o socorro às pessoas que se afogam todos os anos nas nossas praias, o tratamento dos nossos doentes nos nossos hospitais, o ensino das nossas crianças nas nossas escolas públicas e tudo o resto que deveria ser prioridade de um Estado que se diz ser social, então eu digo aos "governantes":

 

Devolvam o dinheiro dos impostos ao povo que ele sabe muito bem como fazê-lo, quer seja através de uma linha telefónica e/ou de uma conta bancária solidária, quer seja de porta em porta a prestar o apoio e o auxílio necessários aos que mais precisam!

 

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