O karma é tramado... – Parte 2/2
Eram duas da tarde,
Estava ela a descansar,
Deitada de olhos fechados,
Como um porco a ressonar,
Quando lhe bateram à porta
E fizeram-na acordar.
«Mas quem é a esta hora?!...»,
Perguntou a praguejar,
Com um pijama todo roto,
O cabelo por pentear,
Tinha remelas na cara
E os dentes por lavar.
«Ora viva meus senhores,
O que vos faz aqui passar,
Fardados dessa maneira,
Com um fato militar,
E com o chapéu na mão,
Acabado de tirar?»
«Temos uma má notícia»,
Começou um por afirmar,
«Peço-lhe que entre em casa
Para que possa se sentar.»
«Diga lá, Sr. Guarda,
Não me faça agoniar,
Que eu sofro de uma cirrose
E de um cancro pulmonar.»
«O seu marido faleceu...»
E nem chegou a acabar,
Saiu de casa a correr
E começou logo a gritar:
«Morreu o grande cabrão
Que me andava a enganar
E que me ameaçava sempre
Que um dia me ia matar.»
E a pressa era tanta,
E o "cabrão" a agoirar,
Que tropeçou nos degraus
E à estrada foi parar,
Quando surge um camião,
Com uma luz a piscar,
Que lhe tirou logo a vida
E a vontade de festejar!