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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

04
Mai20

O estado de calamidade

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Como é óbvio, o levantamento do estado de emergência e da quarentena obrigatória vai dar origem a uma segunda vaga de COVID-19 muito pior do que a primeira. E isto sim será uma verdadeira calamidade. E não digo isto por achar que o Governo esteve mal ao levantar o estado de emergência. Muito pelo contrário. Acho que esteve bem, porque não havia alternativa melhor. Digo isto por achar que a maioria das pessoas não vai cumprir com todos os cuidados para evitar a contaminação e propagação do novo coronavírus, não só porque será muito difícil (quase impossível) cumprir com todas as regras, mas também porque há muitas pessoas que ainda acham que isto do novo coronavírus é treta.

 

Um mês e meio depois, passámos de «estado de emergência» para o «estado de calamidade». Se formos a um dicionário de língua portuguesa ver o significado de cada uma das palavras, facilmente percebemos que «calamidade» é muito pior do que «emergência», mas a verdade é que, de acordo com a "nomenclatura" do Governo, o «estado de calamidade» está um nível abaixo do «estado de emergência». Eu sei que isto parece absurdo, mas a verdade é que esta não é a primeira vez que o significado que o Governo atribui às palavras é contrário àquilo que as palavras verdadeiramente significam. Já em março deste ano, quando o Governo anunciou a primeira fase de mitigação, o significado de  «mitigação» nada tinha que ver com abrandamento, atenuação, suavização. Muito pelo contrário. Era o início de uma fase bem mais alarmante, em que a propagação do novo coronavírus já não acontecia só com «casos importados sem cadeias secundárias», mas sim com «transmissão comunitária» no país. E foi por isso que eu fiquei logo preocupado quando ouvi o primeiro-ministro dizer que, depois desta pandemia, não haveria austeridade. Entretanto, já desdisse o que disse, mas não disse o que queria dizer nem o que vai haver. Pela lógica, penso que queria dizer que haverá escravidão. E é exatamente isto que mais me tem preocupado nesta pandemia: a iliteracia dos nossos governantes. E não é só a iliteracia. A dislexia também. No início desta pandemia, alguém do Governo chegou a dizer vezes sem conta que a máscara era uma «falsa sensação de segurança» quando, na verdade, queria dizer que era algo que fazia falta para a segurança de todos. E assim têm sido as mensagens mais importantes do Governo durante esta pandemia: claras, exatas e certeiras. Quero dizer, confusas, incertas e erradas. Depende da literacia de quem está a ler. Não obstante, de todas as mensagens transmitidas por este Governo, aquela que me parece mais adequada aos tempos que correm é, sem dúvida alguma, a alteração do «estado de emergência» para «estado de calamidade». E digo isto não com base na "nomenclatura" do Governo, mas com base no dicionário do Priberam. 


Porque é que eu acho adequada a alteração de «estado de emergência» para «estado de calamidade»?!


Em primeiro lugar, porque, depois de um mês e meio de confinamento, o maior desafio das pessoas não será o de ultrapassar o medo de sair à rua, mas sim o de conseguir passar pela porta. E esta será a primeira "calamidade". Felizmente, já foi decretado o uso obrigatório das máscaras e as pessoas passarão mais tempo com a boca tapada. Infelizmente, não estão obrigadas a usar máscara 24 horas por dia. Em segundo lugar, porque não vai ser nada fácil convencer as pessoas a saírem de casa para irem trabalhar. E esta será a segunda "calamidade". Tanto pediram às pessoas para ficarem em casa com o rabo sentado no sofá que devem ter ficado com o rabo colado e já não se conseguem levantar. Como se não bastasse, ainda lhes disseram que eram heróis. Em terceiro lugar, po
rque, como é óbvio, o levantamento do estado de emergência e da quarentena obrigatória vai dar origem a uma segunda vaga de COVID-19 muito pior do que a primeira. E isto sim será uma verdadeira calamidade. E não digo isto por achar que o Governo esteve mal ao levantar o estado de emergência. Muito pelo contrário. Acho que esteve bem, porque não havia alternativa melhor. Digo isto por achar que a maioria das pessoas não vai cumprir com todos os cuidados para evitar a contaminação e propagação do novo coronavírus, não só porque será muito difícil (quase impossível) cumprir com todas as regras, mas também porque há muita gente que ainda acha que isto do novo coronavírus é treta. E porquê? Porque há pessoas que (ainda) não tiveram COVID-19, não conhecem ninguém que tenha tido nem perderam ninguém próximo por causa desta doença. Só depois de tudo isto acontecer é que tudo poderá melhorar. Até lá, acho que tudo só vai piorar, mas oxalá eu esteja errado...

 

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