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Sem Sentido

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02
Dez20

Ljubomir Stanisic: O chef que tem tomates...

Ljubomir Stanisic.jpg

 

Eu não tenho nada contra Ljubomir Stanisic. Tão-pouco tenho alguma coisa contra o facto de ele estar a greve de fome à porta da Assembleia da República. Muito pelo contrário. Acho que faz bem. Só acho estranho que ele não o tenha feito na altura em que reivindicou o encerramento dos restaurantes e o faça agora que muitos restaurantes estão encerrados. Enfim, só espero é que as pessoas não sigam o seu exemplo e passem os próximos tempos a «pão e água», senão aí é que os restaurantes fecham mesmo. E de vez!

 

Por estes dias, Ljubomir Stanisic é um dos nomes mais falados em Portugal, pelo menos entre os famosos. E porquê? Porque é um dos rostos do «Movimento Sobreviver a Pão e Água» e está à porta da Assembleia da República a fazer greve de fome em protesto contra «a destruição do setor da restauração». Não é o único a protestar nem a fazer greve de fome, mas o facto de ser uma figura pública faz com que ele seja um dos rostos mais emblemáticos deste movimento.

 

Mas, afinal, quem é Ljubomir Stanisic?  Ora bem, de acordo com a Wikipédia, Ljubomir Stanisic é um chefe de cozinha natural da antiga Jugoslávia, atual Bósnia e Herzegovina, radicado  em Portugal desde 1997. Mal chegou a Portugal, furtou o livro de cheques à irmã, adquiriu um Fiat Tipo e fez-se à estrada para conhecer o país. De volta, pediu perdão à irmã pelo furto e começou a trabalhar numa cozinha. Em 2003, trabalhou como subchefe de cozinha num restaurante de luxo em Cascais, mas acabou por ser despedido depois de ter agredido violentamente o chefe de cozinha alegadamente por racismo. Em 2004, abriu o seu primeiro restaurante – o «100 Maneiras» –, mas não por muito tempo. Em 2008, foi à falência. Em 2010, abriu o seu segundo restaurante, o «Bistro 100 Maneiras», e um ano depois o seu terceiro restaurante, o «Nacional 100 Maneiras». Em 2011, tornou-se conhecido do grande público português com a participação como jurado na primeira edição do programa de televisão «Masterchef Portugal», na RTP1, mas foi em 2017, com a apresentação do programa «Pesadelo na Cozinha», na TVI, que mais se celebrizou em Portugal. Com uma linguagem grosseira e uma postura arrogante, o seu papel no programa era pôr ordem na casa e salvar os restaurantes da falência. Curioso. O programa foi um sucesso. Em 2018, estreou a segunda temporada. Em 2019, a terceira temporada. Em todas as suas temporadas, o programa foi líder de audiências. Ou seja, enriqueceu. Só que não. Em 2020, Ljubomir Stanisic está à beira da insolvência. Uma vez mais.

 

Com a pandemia, Ljubomir Stanisic está à beira da falência, mas não é o único. Há muitos mais. E não são só do setor da restauração. São dos mais variados setores de atividade. Mas, de repente, parece que só as reivindicações de Ljubomir Stanisic e do «Movimento Sobreviver a Pão e Água» é que importam. E não digo isto por achar que não importam. Importam, mas não me parece que sejam o mais importante neste momento. Neste momento, o mais importante mesmo é combater a propagação de COVID-19 em Portugal, sem comprometer demasiado o funcionamento da economia, claro. Parece-me, portanto, que limitar a lotação e o horário de funcionamento dos restaurantes, bares e discotecas é uma medida mais do que justificada, uma vez que o risco de contaminação nestes locais é elevado. Aliás, elevadíssimo, já que ninguém come ou bebe com máscara. E é por isso que protestar contra este tipo medidas não faz sentido. Não, pelo menos, nesta altura. Protestar quando já se reinvidicou algo muito pior menos sentido faz. E foi exatamente isso que Ljubomir Stanisic fez.

 

Para quem não se lembra – ou não se quer lembrar –, relembro que, no início desta pandemia, em março, quando o número de mortos e de infetados por COVID-19 em Portugal era muito inferior aos números de agora, Ljubomir Stanisic reivindicou veementemente o encerramento dos restaurantes. Não só reivindicou, como foi mais longe. Lançou um repto, muito ao seu estilo e à sua forma de falar: «o Governo não tem tomates para fechar os restaurantes». É verdade, o Governo não teve tomates, mas ele teve e encerrou os seus dois restaurantes. 

 

«Não sei como vou pagar os ordenados ao final do mês de 80 famílias, mas prefiro proteger os funcionários.» – palavras de Ljubomir Stanisic em março de 2020.

 

Pois bem, oito meses depois, com o número de mortos e de infetados por COVID-19 a disparar e a bater recordes todos os dias, eis que Ljubomir Stanisic já não reivindica o encerramento dos restaurantes. Muito pelo contrário. É contra. É contra o encerramento dos restaurantes e até mesmo contra o recolher obrigatório. E esta é exatamente uma das reivindicações do chefe de cozinha e do «Movimento Sobreviver a Pão e Água»: acabar com o recolher obrigatório aos fins de semana a partir das 13 horas. Mas não é a única reivindicação. Há outras, nomeadamente apoio a fundo perdido, isenção da Taxa Social Única (TSU) até ao final de 2020 e redução do IVA da restauração para 6%. E eu pergunto: Redução do IVA da restauração para 6%? Para quê? Para atrair clientes? Mas será que ele acha mesmo que não consegue atrair mais clientes para os seus restaurantes por causa IVA? Não, meu caro, não é por causa do IVA. É por causa dos preços. São muito caros, independentemente de o IVA ser a 23% ou a 6%. Cascas de batata a 7 euros? Caril de vegetais com arroz a 21 euros? Frutas do mercado a 6 euros? Porra... É que nem os seus amigos famosos terão poder de compra para lá irem comer depois desta pandemia. Enfim, com poder de compra ou sem poder de compra, quem ameaça não comer mais é o próprio Ljubomir Stanisic, que está a fazer greve de fome à porta da Assembleia da República até que o Governo atenda às suas reivindicações e/ou apresente soluções para os seus negócios. À sua volta, muitos são aqueles que o apoiam e elogiam, mas só ao longe. De perto, são muito poucos. E porquê? Porque há muita coisa que parece, mas não é. Há quem ache que Ljubomir Stanisic está a ser um verdadeiro homem de causas, porque é dos poucos que está a dar o corpo ao manifesto e a lutar pelos interesses dos profissionais da restauração, mas a verdade é que ele está a lutar mas é pelos seus próprios interesses, como é óbvio. Claro que, ao lutar pelos seus interesses, está a lutar pelos interesses de todos os outros que estão na mesma situação, mas isso não é uma causa. É uma consequência. Não confundam. Há quem ache que ele é um homem com «os tomates no sítio», mas a verdade é que ele não passa de um empresário com «os tomates na boca», atolado em dívidas. E é por isso que já não vê outra saída que não seja fazer greve de fome. Está desesperado. Há quem ache que ele é mais português do que os próprios portugueses, mas a verdade é que ele é tão português quanto os que nasceram e vivem cá, pelo menos no que diz respeito à nossa forma de agir: quando não nos afeta, ficamos a ver, mas quando nos toca a nós... Ui, até a barraca abana. Só que é preciso saber abaná-la...

 

Eu não tenho nada contra Ljubomir Stanisic. Tão-pouco tenho alguma coisa contra o facto de ele estar a greve de fome à porta da Assembleia da República. Muito pelo contrário. Acho que faz bem. Só acho estranho que ele não o tenha feito na altura em que reivindicou o encerramento dos restaurantes e o faça agora que muitos restaurantes estão encerrados. Enfim, só espero que as pessoas não sigam o seu exemplo e passem os próximos tempos a «pão e água», senão aí é que os restaurantes fecham mesmo. E de vez!

 

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