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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

22
Jul18

Homens que dão beijos na boca de outros homens?! Que nojo...

Homossexualidade.jpg

 

A semana passada, foi uma semana de descobertas chocantes: para o meu sobrinho, que ficou a saber o significado da palavra «gay»; para mim, que fiquei a saber que as crianças podem ser homofóbicas sem ninguém lhes dizer para o serem. Mais chocante do que isto, só mesmo o facto de a orientação sexual continuar a ser assunto entre os adultos e de a homossexualidade continuar a ser motivo de discriminação e de comentários bem mais desagradáveis do que o comentário do meu sobrinho.

 

Foi no domingo passado, numa esplanada, que, no meio de uma conversa entre adultos, o meu sobrinho ouviu a palavra «gay». Curioso como ele é, quis logo saber o significado da palavra, e tinha de sobrar para mim:

 

– Tito, o que é «gay»?

 

– Ora bem, «gay» é uma pessoa que gosta de outra pessoa do mesmo sexo.

 

– Como assim?

 

– É um homem que namora com outro homem ou uma mulher que namora com outra mulher. Na verdade, em português, diz-se «homossexual».

 

– Que namora?

 

– Sim, um homem que dá beijos na boca de outro homem como o teu pai dá na boca da tua mãe.

 

– Um homem que dá beijos na boca de outro homem?! Que nojo...

 

Depois disto, pouco mais disse eu sobre este assunto, não porque eu não tivesse mais nada para dizer, mas porque ele não era meu filho e eu não sabia até que ponto é que os pais dele gostariam de ouvir o que eu tinha para dizer. Não obstante, no meio de tanta estupeção, eis que, dentro da minha cabeça, surge uma pergunta bem mais intrigante do que a do meu sobrinho:

 

Será que as crianças podem ser homofóbicas sem ninguém lhes dizer para o serem?

 

Eu sempre ouvi dizer que as crianças são capazes de entender melhor a homossexualidade do que os adultos, quando explicadas por alguém que não é homofóbico, claro. Neste caso, conhecendo os pais do meu sobrinho como eu conheço, e não lhes reconhecendo qualquer comportamento homofóbico, pergunto-me agora sobre o que poderá ter estado na origem daquele comentário homofóbico.

 

Talvez aquele comentário não fosse assim tão homofóbico quanto me quis parecer. Talvez não passasse de um comentário de uma criança de oito anos que nunca tinha ouvido falar de tal realidade, porque à sua volta nunca tinha visto nada igual. Talvez já tivesse ouvido algum adulto fazer um comentário parecido sobre a homossexualidade e sobre o facto de existirem homens que dão beijos na boca de outros homens. Talvez sim... ou talvez não. Talvez seja mesmo possível uma pessoa ser homofóbica sem ver ao seu redor exemplos de homofobia. E é sobretudo esta última hipótese que eu mais temo, não só porque eu sou pai de duas crianças, ainda bebés, que podem ser homossexuais, mas também porque eu não sou, de todo, homofóbico e temo que os meus filhos o sejam... e o meu sobrinho também, claro.

 

É verdade, eu não sou homofóbico. Juro, não sou mesmo homofóbico. A mim (já) não me faz impressão ver dois homens ou duas mulheres a se beijarem na boca. Aliás, se eu não vejo mais vezes mulheres a se beijarem na boca é porque a minha esposa não me deixa desbloquear o canal de televisão... Na verdade, se a homossexualidade fosse uma opção em vez de uma orientação, eu optaria por ser homossexual, não porque eu prefiro beijar a boca de um homem à boca de uma mulher, mas porque preferiria ser confundido com uma minoria homossexual do que com uma maioria homofóbica.

 

O que não faltam por aí são pessoas a dizerem que não são homofóbicas, mas depois, quando lhes perguntamos se se importariam de terem um filho homossexual:


– Ter um filho homossexual?! Deus me livre…


E só nesta resposta, deteto logo duas contradições: a de que a maioria das pessoas que diz não ser homofóbica detestaria ter um filho homossexual e a de que, sendo católica, não respeita um dos principais mandamentos proferidos por Jesus Cristo que diz «tens de amar o teu próximo como a ti mesmo».

 

[Isto de exitirem pessoas que se dizem católicas e que não cumprem com os princípios básicos da sua religião tem muito que se lhe diga, mas eu vou deixar isso para outra altura.]

  

E é no meio destas contradições que a homofobia continua e continuará sempre a existir: porque não nos choca a homossexualidade dos filhos dos outros, mas choca-nos a homossexualidade dos nossos filhos.


O que é que eu faria se um filho meu chegasse a casa a dizer que era homossexual?!

 

Sinceramente, nada de especial. Em primeiro lugar, porque, antes de ele mo dizer, já eu o saberia, quase de certeza, talvez até muito antes de ele o saber. Em segundo lugar, porque é que acham que eu concordei com a minha esposa em registar o nome do meu filho de Sebastião Maria?

 

Quando ele for grande, ele que escolha: ou Sebastião ou Maria!

 

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