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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

18
Mar19

Feliz Dia do Pai...

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No «Dia do Pai», não quero prendas. Não quero ir jantar fora. Não quero fazer nada que não fosse feito se não fosse o «Dia do Pai». Se, no final do dia, eu sentir que não foi um dia especial, então está na altura de eu mudar, não a minha forma de pensar e/ou de encarar o «Dia do Pai», mas a forma de agir e de viver todos os outros dias. 

 

No «Dia do Pai», nunca ofereci uma prenda ao meu pai. Nunca fui jantar fora com ele. Nunca fiz nada que não fizesse se não fosse o «Dia do Pai». E nem mesmo quando o «Dia do Pai» calhava num domingo se alguma coisa mudava. Na verdade, não me lembro de me lembrar do «Dia do Pai» na minha infância. Nem eu, nem o meu pai, nem a minha mãe, nem a minha irmã. Acho que nunca ninguém se lembrou deste dia nem se importou com a existência do mesmo. Era um dia como os outros. Não sinto orgulho em dizer isto, mas também não sinto tristeza. Na casa dos meus meus pais, foi assim que fomos educados e, sinceramente, não me parece mal que, no «Dia do Pai», não se ofereçam prendas, não se jante fora e não se faça nada que não se fizesse se não fosse o «Dia do Pai». Já o facto de nada se fazer em nenhum dos outros dias do ano, parece-me mal, muito mal até. 

 

Eu não tive uma infância triste, mas também não tive a infância que gostaria de ter tido. Nunca tive a liberdade de fazer tudo o que eu queria, nem mesmo quando o que eu queria era simplesmente ir à praia, brincar à bola, passear pelo campo. Não tive, mas não culpo o meu pai. Nem o meu pai nem a minha mãe. Não tiveram culpa. Não foram ensinados a serem pais e ser pai e/ou mãe não é uma tarefa nada fácil de se aprender sozinho(s). A preocupação em ganhar para a vida tirou-lhes todo o tempo do mundo para estarem com os filhos, mais o tempo da minha mãe do que o tempo do meu pai. O meu pai, quando não estava a trabalhar, estava no seu mundo, num mundo onde o sangue que lhe corria pelas veias era substituído pelo álcool, aquele álcool que não serve para sarar feridas, mas para as provocar. Nunca me bateu, mas deixou-me marcas... Felizmente, são coisas do passado, de um passado distante. Tudo mudou, era eu ainda uma criança com memórias que poderiam ser esquecidas se aquilo que tivesse mudado fosse algo mais do que simplesmente deixar de beber. O álcool saiu da sua vida, mas o papel de pai não vingou. Não só não vingou como perdeu-se por completo, pelo menos para com aqueles dois filhos «de sangue». Atualmente, divorciado e afastado da sua primeira família, acho que nunca esteve tão feliz. Tem uma nova mulher, uma nova família. Divorciou-se da mulher que o aturou durante anos e dos filhos que nunca aturou nem quis aturar. Seguiu outro rumo. Hoje, o meu pai não é mais meu pai. O meu pai é apenas o meu progenitor. E apesar de eu não ter memórias que me façam sentir falta dele, sinto gratidão, a gratidão por ele me ter trazido ao mundo, mesmo que não tenha sido propositadamente.

Hoje, eu sou pai. Sou pai de duas crianças. Posso não ser o melhor pai do mundo, mas também não o quero ser. Quero apenas ser um pai melhor do que o meu e fazer com que os meus filhos tenham memórias da sua infância bem mais felizes do que as minhas. Não quero que eles se lembrem de mim apenas no «Dia do Pai» nem quero que façam deste dia um dia especial. Quero que seja um dia normal como todos os outros. Sei que, se eu for um bom pai, este dia será tão especial quanto todos os outros. Foi a pensar assim que eu decidi ter filhos e é a pensar assim que eu quero que eles tenham um pai. 

No «Dia do Pai», não quero prendas. Não quero ir jantar fora. Não quero fazer nada que não fosse feito se não fosse o «Dia do Pai». Se, no final do dia, eu sentir que não foi um dia especial, então está na altura de eu mudar, não a minha forma de pensar e/ou de encarar o «Dia do Pai», mas a forma de agir e de viver todos os outros dias!

 

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