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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

10
Jul18

Eu já quase morri... por várias vezes!

Experiências de quase morte.jpg

 

A propósito do resgate das crianças tailandesas, lembrei-me de alguns episódios que marcaram a minha infância e que poderiam ter tido um desfecho bem menos feliz do que o daquelas crianças. Quero dizer, mais ou menos.

 

De entre os principais episódios que marcaram a minha infância, destaque para aqueles que mais colocaram a minha vida em risco, nem que fosse só pela tareia que eu apanharia caso a minha mãe descobrisse o sucedido. Na verdade, tivesse eu nascido gato e já não tinha mais vidas.

 

  • Bebi «lixívia amarela» e fui parar ao hospital

 

Para quem não sabe e/ou já não se lembra, no meu tempo de criança, «lixívia amarela» era a lixívia mais conhecida e usada pelas pessoas, pelo menos no meio rural. Era usada para tirar nódoas da roupa, mas não só. Para lavar o pátio também. Só para terem a noção, a lixívia era tão forte que, se não a misturassem com água, o resultado era quase imediato: buracos na roupa e até no chão cimentado. Enfim, uma versão antiga do atual ácido clorídrico.

 

«Bija… bija… bija…» – a única “palavra” que eu disse vezes sem conta, já depois de ter bebido um copo com lixívia “amarela”, tinha eu pouco mais de dois anos.

 

[Na verdade, eu não bebi o copo todo. E foi só por isso que o resultado não foi bem mais trágico.]

 

O que foi que me deu para beber «lixívia amarela»?!

 

O óbvio: vontade de beber Brisa, que era um sumo (regional) com gás, de cor amarelada, que a minha mãe tinha sempre em casa. Era isso e lixívia num copo, vai-se lá saber porquê.

 

[Atualmente, não sei o que seria pior: beber a lixívia ou o sumo com gás. Deixo esta dúvida para os nutricionistas.]

 

Resultado final: Uma noite no hospital a levar soro e a minha primeira experiência de quase morte.

 

[Ainda hoje, quando me aparecem marcas brancas na pele, depois de uma ida à praia, fico sempre na dúvida: Serão fungos ou marcas da lixívia?]

 

  • Apalpei uma rapariga e ela quase me matou

 

Era daquelas cenas que mais se viam nos intervalos da escola primária e no final das aulas: miúdos a apalparem o rabo das raparigas, nomeadamente o rabo de uma loira, alta, de olhos azuis e lábios carnudos. Todos a apalpavam... menos eu.

 

É verdade, eu era mesmo o rapaz mais certinho da escola. Sabia distinguir o certo do errado e, regra geral, nunca fazia o errado. Até que:

 

«Se eles a apalpam e ela ri, porque não apalpá-la também?» – a pergunta tola que invadiu a minha mente instantes antes de eu cometer o erro de a apalpar.

 

Resultado final: Uma corrida desde a escola até casa – cerca de 800 metros –, com ela atrás de mim a dizer vezes sem conta «eu mato-te… eu mato-te…». Acho que nunca corri tão rápido em toda a minha vida.

 

[Sim, no meu tempo de escola já havia bullying e eram os rapazes mais feios que eram as vítimas.]

 

  • Levei com uma pedra na cabeça e sangrei mais do que um suíno na época natalícia

 

Como qualquer criança, eu também gostava de jogar à bola em pequeno. Não jogava muito bem, mas gostava de jogar. E talvez por isso nunca era escolhido para jogar, a não ser quando já não havia mais ninguém no campo. E foi exatamente isso que aconteceu naquele dia em que um grupo de desconhecidos me convidou para jogar futebol, tinha eu 10, 11 anos.

 

«Quem, eu? Sim, claro, quero jogar...»

 

Pois bem, mal entrei dentro de campo, saí logo lesionado. Uma pedra do tamanho de uma gravilha, vinda do outro lado da estrada, com um ribeiro a separar, em cheio no alto da minha cabeça.

 

Resultado final: “Litros” e “litros” de sangue (com água das minhas lágrimas à mistura) a escorrer pela minha cara abaixo até chegar à enfermaria da escola.

 

«Nunca vi um corte tão pequeno fazer sair tanto sangue.» – disse alguém na enfermaria.

 

Por momentos, temi pela minha vida, mas a verdade é que, depois de eu ter ido às urgências, cheguei a casa com um simples penso no alto da cabeça, sem levar um único ponto.

 

[Ainda hoje, não sei quem é que lançou aquela pedra, mas sei que foi lançada por alguém com uma fisga. Deve ter sido alguém que jogava à bola pior do que eu, de certeza.]

 

  • Entrei numa gruta e só não morri por sorte

 

Muito provavelmente, o episódio que mais se compara com o episódio das crianças tailandesas, mas não tão grave. Quero dizer, poderia ter tido um desfecho bem mais trágico, mas, felizmente, a sorte esteve do meu lado.

 

Eu não devia ter mais de 11, 12 anos, quando, pela primeira vez, cedi às loucuras de um grupo de amigos e decidi ir com eles até umas famosas grutas que estavam situadas a uns bons quilómetros da escola que eu frequentava: as Furnas do Cavalum.

 

[Para quem nunca ouviu falar e/ou nunca lá esteve, pesquise no Google pelo nome e conheça de perto as grutas. Não só pode encontrar informações no Wikipédia, como pode ver imagens no Youtube.]

 

Sem corda, sem lanterna e sem qualquer experiência a andar dentro grutas, fui o primeiro a entrar, destemido, como se a ideia de lá ir tivesse sido minha e como se os mitos sobre as grutas não me assustassem.

 

«Dizem que alguém já entrou cá dentro e nunca mais voltou…»

 

Resultado final: Uma queda aparatosa (da altura de um metro) e um dedo “enforcado” foi tudo o que eu consegui nesta minha aventura. Dada a escuridão e o desconhecimento do que lá havia, a queda poderia ter sido maior e a consequência bem pior, mas quis o destino que a minha vida não acabasse ali, numa gruta com morcegos.

 

[Por incrível que pareça, num dos vídeos sobre as Furnas do Cavalum que aparecem no Youtube, há imagens do local exato onde dei esta queda (clique na hiperligação anterior, a vermelho, e veja o vídeo até o minuto 0:15). Só de pensar que poderia estar lá uma fotografia minha com um ramo de flores…]

 

  • Engoli a tampa de uma caneta e quase morri (asfixiado)

 

Este é, muito provavelmente, o episódio mais "soft" de todos, mas, ainda assim, digno de registo, pois só não morri asfixiado porque a minha sorte assim não o quis.

 

Tudo começou quando eu decidi pedir uma caneta a uma colega de turma porque a minha já não escrevia. A caneta era daquelas de "click", com uma tampa dava para tirar e voltar a pôr.

 

Enquanto assistia à aula e tirava apontamentos, adivinhem o que é que eu me lembrei de fazer?

 

De tentar tirar a tampa da caneta apenas com o poder de sucção da minha boca, inspirando vezes sem conta até conseguir tirá-la.

 

Resultado final: Não só consegui tirar a tampa da caneta como consegui engoli-la.

 

[Sabem aquele mítico vídeo de Ricardo Araújo Pereira a comer um pudim no Programa do Jó só com o seu poder de sucção?! Já eu fazia tal proeza muito antes dele, mas só que com tampas de canetas...]

 

Não, não asfixiei, mas fiquei bastante nervoso, a tremer, não só porque não sabia como é que o meu organismo iria reagir àquele objeto estranho, mas também porque não sabia como é que a minha colega iria reagir ao desaparecimento da tampa da caneta e à minha explicação:

 

– A tampa?

 

– Engoli-a sem querer… Desculpa!

 

[Tivesse eu pedido a tampa à rapariga que apalpei na primária e tinha saído logo a correr…]

 

  • Quase morri afogado

 

Este episódio ocorreu numa das primeiras vezes que eu fui à praia, tinha eu já 13, 14 anos. Sim, é verdade. Até então, nunca tinha ido à praia. Quero dizer, fui uma vez com os meus amigos da escola sem os meus pais saberem, mas uma vez que eu não sabia nadar – e não gostava de beber água salgada –, achei por bem não repetir a experiência sem a presença de alguém em quem eu pudesse confiar como, por exemplo, o meu pai, o meu tio ou o meu primo.

 

Pois bem, depois de eu já ter alguma experiência no mar, de maré vazia, e de já saber (quase) nadar “à cão”, eis que acontece o inesperado: um pé em falso num buraco de areia, água pela cabeça e saltos e mais saltos para tentar sair dali, sempre a beber água.

 

[Sabem aquelas raparigas que fazem natação sincronizada numa piscina? Tal e qual, com a diferença de que eu não tinha uma mola no nariz e entrava-me água pelo nariz e pela boca mais do que entrou aqueles indivíduos que foram praxados na praia do Meco.]

 

Resultado final: Mais de dez litros de água dentro mim – pensei eu na altura – e uma sensação de quase morte que eu nunca tinha vivido.

 

A sensação de que se vai morrer afogado é muito má, mas a sensação de se estar a morrer afogado mesmo ao lado do nosso pai, do tio e do primo, sem eles nada fazerem, é bem pior.

 

«Vi-te a pular, mas pensei que estavas a brincar com as ondas. Porque é que não te atiraste para a frente em vez de estares sempre aos pulos no mesmo sítio?»

 

  • Dei um mergulho e quase morri

 

E, finalmente, o episódio mais marcante de toda a minha, não só porque me deixou uma marca no sobreolho para o resto da vida, mas também porque poderia ter tido um desfecho bem mais trágico do que teve.

 

Tudo começou na tarde de uma Sexta-Feira Santa, depois de eu ter decidido ir à praia. Peguei na bicicleta e lá fui eu para uma praia que ficava a cerca de dez quilómetros de casa.

 

«Sexta-feira Santa não é dia de ir praia. É dia de ir à missa.» – disse-me a senhora minha mãe, como se já estivesse a prever aquilo que viria a acontecer.

 

Pois bem, chegado ao destino, tinha duas opções: ir ao mar ou ir à piscina.

 

Eu até nem gosto de piscinas, mas como estávamos em pleno mês de março e o acesso à piscina não era pago, optei por ir à piscina.

 

Estacionei a bicicleta, estendi a toalha e… um mergulho para começar.

 

[Como nunca tinha estado naquela piscina e não consegui identificar a informação sobre a profundidade da mesma, decidi mergulhar de cabeça, mas com (quase) toda a precaução.]

 

Resultado final: Bati com a cabeça no fundo da piscina e saí da piscina a sangrar.

 

[Tendo em conta que eu quase sempre mergulhava de forma perpendicular à superfície da água, foi um verdadeiro milagre eu não ter morrido ali, até porque, do lado que eu mergulhei, a água da piscina dava-me pelo joelho.]

 

Como eu não tinha espelho, não me apercebi da gravidade nem da profundidade do corte. No entanto, apercebi-me do sangue a escorrer pela minha cara abaixo.

 

Como estava sol, adivinhem o que eu me lembrei de fazer?

 

Ficar deitado ao sol, até que a ferida cicatrizasse.

 

«Com este sol, a ferida deve cicatrizar muito rapidamente.»

 

Deitado na toalha, de testa aberta, a apanhar sol, comecei a notar que as pessoas que passavam por mim olhavam de forma estranha. E foi aí que eu decidi ir embora. Rasguei parte da toalha de praia para colocar na testa, peguei na bicicleta e lá fui eu: no passeio da via rápida, com uma mão no guiador e outra na testa, num longo percurso de volta até casa. E foi só quando eu parei junto a um carro que estava parado e olhei para o seu espelho retrovisor que eu constatei que aquela ferida nunca iria cicatrizar ao sol: tinha o sobrolho aberto, pior do que o Rocky Balboa depois de um combate.

 

Chegado a casa, fui logo para o serviço de urgências do centro de saúde da minha zona. Sete pontos no sobreolho foi tudo o que eu consegui neste dia e uma marca na testa para o resto da vida.

«Você vai ficar sexy com esta cicatriz e fazer bastante sucesso com as mulheres.» – a maior mentira que eu já ouvi da boca de uma enfermeira.

 

[O mais constrangedor no meio de todo este episódio é que eu já andava na universidade e já tinha idade para ter juízo.]

 

E se, depois de tudo isto,  achava eu que  tinha motivos mais do que suficientes para me considerar a pessoa mais sortuda do mundo, eis que conheci (e casei) com uma mulher que já foi atropelada por um carro, por um cavalo e até por uma bicicleta, vejam lá.

 

Definitivamente, somos o casal mais sortudo do mundo!

 

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