Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

27
Mai20

Correr em tempos de COVID-19

Correr com máscara.jpg


Que um atleta profissional corra com máscara, porque pode levar ao fortalecimento dos seus pulmões e diafragma e, com o tempo, a uma melhoria do seu desempenho, até pode ser compreensível, agora que um indivíduo que corre por desporto use uma máscara para correr é só estúpido. E não é preciso ir para a Internet para perceber que é estúpido. Basta correr uma vez para perceber que é estúpido correr com a boca e o nariz tapados porque aquilo que mais se precisa quando se está a correr é oxigénio. Quero dizer, cerveja também, mas não morremos por isso. Já sem oxigénio, morremos de certeza.

 

Eu nunca fui atleta de alta competição, mas sempre gostei de praticar desporto e fazer exercício físico. Em criança, nas férias de verão, ia sempre passear com o meu cão para a serra, numas longas caminhadas de duas a três horas. Depois de adulto, substitui os passeios pela serra pelas corridas de estrada e, durante dez anos, corri sempre com alguma regularidade. No verão, para além de correr, fazia longos percursos de bicicleta, nadava (no mar) e jogava ténis. Tudo atividades ao ar livre, pois se há coisa que eu não gosto de fazer é desporto ou exercício físico em espaços fechados. Talvez por isso nunca tenha frequentado um ginásio. Entretanto, casei e, depois de ter filhos, as coisas mudaram um pouco. Aliás, bastante.


Depois de casar e começar a viver com a minha esposa, consegui manter a rotina de correr durante quase dois anos. Éramos só dois em casa e era simples: ou ela ia correr comigo ou eu ia correr sozinho. Na maioria das vezes – quase na totalidade – eu ia correr sozinho, enquanto ela ficava em casa a comer gelado, batatas fritas. Eu sei disto porque, na maioria das vezes, eu chegava a casa sem ela estar à espera. Depois de a minha filhota nascer, muita coisa mudou, mas a verdade é que eu nunca deixei de correr. Eu até cheguei a compor a letra de uma música bastante conhecida para dedicar à minha esposa e assinalar esta fase muito especial da minha vida: Correr pelos dois!


Depois de a minha filhota nascer, esta foi a minha rotina durante quinze meses: durante a fase de amamentação, acordava às 6 horas da manhã, corria durante uma hora, tomava banho e passava o resto do dia a ajudar a minha esposa a cuidar da minha filhota; depois da amamentação, acordava às 6 horas da manhã, dava leite à minha filhota – para ela não acordar a minha esposa com fome –, corria durante uma hora, tomava banho e passava o resto do dia a cuidar da minha filhota até a minha esposa chegar do trabalho. Nesta altura, mais do que para manter a minha forma física, correr servia para eu manter a minha sanidade mental e psicológica, que é algo muito dificíl de conseguir quando se cuida de um bebé sozinhos na fase de introdução do leite artificial, da papa, da sopa,... Com o nascimento do meu segundo filho, a minha rotina mudou drásticamente e correr passou a ser uma atividade bem mais esporádica, principalmente depois de o meu filhote fazer um ano. Ainda assim, sempre que posso, fujo de casa sem ninguém ver e vou correr. Curiosamente, foi só depois de eu ter dois filhos que participei pela primeira vez numa prova de corrida. Não participei para ganhar, como é óbvio. Participei pela experiência. Ainda assim, tinha um objetivo: terminar a prova – com uma distância de cerca de cinco quilómetros – no tempo máximo de trinta minutos. Não era o melhor dos meus tempos, mas era o máximo que eu poderia conseguir naquela altura. O nome da prova era «UMa Corrida pela Vida» e acho que nunca corri tanto pela minha...


[Quem quiser saber qual era a minha antevisão para este prova e qual foi o resultado final só tem de clicar nas hiperligações a vermelho e desfrutar da descrição...]


Se, com dois filhos, sair de casa para correr passou a ser muito difícil, com dois filhos e uma mulher grávida vai ser quase impossível. Ainda assim, motivado pelo comentário da minha filhota, fui correr ontem como há muito não corria.


– Papá, hoje tu tens uma barriga grande...


Os filhos são uns queridos, não são? Ainda assim, pior do que o comentário da minha filhota foi o olhar atravessado e o riso indiscreto da minha esposa, como se a barriga dela estivesse mais pequena do que a minha. É verdade que ela está grávida, mas também não é menos verdade que, quando uma mulher engravida, o homem também engravida. Apesar de se ter tratado de um comentário ingénuo (e deturpado) de uma criança, a verdade é que aquela frase não me saiu da cabeça durante toda a noite e ontem fui correr.


Como é que correu?


Não poderia ter corrido pior. Quero dizer, tenho em conta que passei os últimos dois meses a comer e a beber como se o mundo fosse acabar, nem correu assim tão mal, mas a verdade é que, num percurso que eu normalmente fazia em menos de trinta minutos – cerca de seis quilómetros –, desta vez demorei cerca de quarenta minutos. Eu não sou católico nem acredito em Deus, mas acho que nunca rezei tantos pais-nossos na minha vida: «Pai Nosso que estais nos céus... fo#&-se, cara#&o, não aguento mais». É verdade, o meu estado de espírito durante toda a corrida oscilou entre o de uma Ana Catharina e o de um Pedro Soá...


[Não sabem quem são? Não perdem nada...]


E se, para mim, já era um verdadeiro desafio conseguir correr em linha reta, imaginem o quão difícil foi para mim desviar-me de pessoas que passeavam em linha com outras pessoas, como se o passeio fosse todo delas. E o mais impressionante é que o passeio tinha mais de cinco metros de largura. Às tantas, só me apetecia gritar: «AFASTEM-SE, QUE EU ESTOU INFETADO», mas o cansaço era tanto que já mal eu consegui respirar quanto mais falar. E por falar em respirar:


Que moda é esta de correr com máscara?


Que um atleta profissional corra com máscara, porque pode levar ao fortalecimento dos seus pulmões e diafragma e, com o tempo, a uma melhoria do seu desempenho, até pode ser compreensível, agora que um indivíduo que corre por desporto use uma máscara para correr é só estúpido. E não é preciso ir para a Internet para perceber que é estúpido. Basta correr uma vez para perceber que é estúpido correr com a boca e o nariz tapados porque aquilo que mais se precisa quando se está a correr é oxigénio. Quero dizer, cerveja também, mas não morremos por isso. Já sem oxigénio, morremos de certeza. E se me vão dizer que as pessoas que correm com máscara só o fazem porque têm medo de serem infetadas com COVID-19, então eu sugiro que estas pessoas fiquem em casa, pois mais vale ficarem fechadas em casa e correrem o risco de ficarem obesas do que saírem à rua para correr com uma máscara e  correrem o risco de morrerem com um ataque cardíaco! 

 

data-mobile="true">

Sigam-me

Subscrever blogue

Subscrever...

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Facebook

YouTube

Água no bico

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Blogs Portugal