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Sem Sentido

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21
Mai19

Conan Osíris e o Festival Eurovisão da Canção...

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Em 2019, um homem vestido de alface do Lidl, com danças esquizofrénicas, surpreendeu tudo e todos ao ser eliminado logo na primeira semifinal do Festival Eurovisão da Canção com um tema alusivo ao problema da dependência dos telemóveis. Sinceramente, não se entende os critérios de quem vota. Ainda por cima, as danças representavam tão bem aquilo que acontece quando se parte um telemóvel... É que se fica mesmo choné!

 

O Festival Eurovisão da Canção é um certame que surpreende todos os anos e este ano não foi exceção. Este ano, o vencedor foi um holandês, de seu nome Duncan Laurence, que cantou em inglês uma balada sobre um amor perdido. O facto de a canção vencedora ter sido cantada em inglês – e não na língua oficial nacional do participante – não foi surpresa alguma, pois canções cantadas em inglês que têm ganhado o Festival Eurovisão da Canção é o que mais se tem visto nos últimos anos, independentemente da língua oficial nacional dos participantes que as cantam. Surpresa é quando a canção vencedora não é cantada em inglês, como aconteceu com a canção de Salvador Sobral em 2017, mas isso agora não interessa nada. O facto de a canção vencedora deste ano ter sido uma canção de ir à cueca – vulgo, balada – também não foi surpresa, pois toda a gente sabe que não há nada melhor do que um tema alusivo a um amor perdido para sensibilizar quem ouve e quem vota, nomeadamente mulheres e homossexuais. Na verdade, nada na atuação do vencedor deste ano foi surpresa, nem mesmo o facto de ele ter revelado a poucas horas da final que era bissexual, pois toda a gente já sabe que, nos dias que correm, revelações sobre a orientação sexual calha sempre muito bem neste tipo de concursos, onde a vitimização dá sempre lugar a mais pontos. Além do mais, com uma música de ir à cueca, é sempre bom saber que a música serve para ir à cueca de qualquer um dos géneros, sem qualquer discriminação.

 

Mas afinal, qual foi a grande surpresa da 64.ª Edição do Festival Eurovisão da Canção?

 

Pois bem, ao contrário de outras edições, em que a surpresa teve que ver com o vencedor do festival, nesta edição a grande supresa teve que ver com a eliminação de um participante que tinha tudo para ganhar o festival. Tinha a melhor letra, a melhor música, a melhor dança e, de longe, o melhor guarda-roupa. De quem é que eu estou a falar?! De Conan Osíris, claro. De quem mais haveria de ser? Na verdade, Conan Osíris era já um vencedor antecipado, muito antes sequer de ter pisado o palco em Telavive. E não digo isto porque sou português ou simpatizo com Conan Osíris. Digo isto porque muitos entendidos na matéria assim o disseram e porque a história do Festival Eurovisão da Canção assim o fazia prever. Senão vejamos:

 

  • Em 2014, um transformista vestido de «mulher com barba» surpreendeu tudo e todos ao vencer o Festival Eurovisão da Canção com um tema alusivo à androginia. A canção foi cantada em inglês, mas a verdade é que não era preciso saber prestar muita atenção à letra da canção para se perceber que a atuação do aústriaco era sobre a sua indefinição sexual. Bastava olhar para ele... para ela. Aliás, outra coisa não seria de esperar de alguém cujo nome artístico era Conchita Wurst, já que «conchita» é uma referência ao orgão sexual feminino em espanhol – vulgo, «perereca» – e «wurst» significa «salsicha» em alemão. O nome da canção vencedora foi «Rise Like a Phoenix», que é como quem diz «solta essa bicha que há em ti».

 

  • Em 2018, uma jovem que cacarejava, vestida com um quimono e dois carrapitos, surpreendeu tudo e todos ao vencer o Festival Eurovisão da Canção com um tema alusivo ao bullying na adolescência e à emancipação da mulher. Para (não) variar, a canção foi cantada em inglês, mas, uma vez mais, não era preciso prestar muita atenção à letra da canção para se perceber que este era o tema. Bastava olhar para ela. A intérprete israelita, de seu nome Netta Barzilai, parecia uma lutadora de sumo que tinha acabado de almoçar, com cara de quem comeu as sobremesas todas e não deixou nada para ninguém. E devia ser por isso que ela sofria bullying na adolescência. Quanto ao facto de ela cacarejar durante a sua atuação – que, deduzo, representava a emancipação da mulher –, só me fez lembrar o refrão de uma das canções de Sandro G que diz, e passo a citar, «tu és uma galinha, a mamã não quer dar, tu queres levar nesta...». O nome da canção vencedora deste ano foi «Toy», que, em português, quer dizer «se queres dançar e não tens par, chama o António».

 

  • Em 2019, um homem vestido de alface do Lidl com danças esquizofrénicas surpreendeu tudo e todos ao ser eliminado logo na primeira semifinal do Festival Eurovisão da Canção com um tema alusivo ao problema da dependência dos telemóveis. Sinceramente, não se entende os critérios de quem vota. Ainda por cima, as danças representavam tão bem aquilo que acontece quando se parte um telemóvel... É que se fica mesmo choné!

 

Enfim, Conan Osíris entrou no palco do Festival Eurovisão da Canção vestido de alface fresca, mas logo saiu com cara de tomate podre. E com toda a razão. 

 

Mas afinal, porque é que Conan Osíris foi eliminado logo na primeira semifinal do festival?

 

Como é óbvio, porque fomos roubados, ou acham que os isrealitas já se tinham esquecido das críticas de Salvador Sobral à canção vencedora de Netta Barzilai no festival do ano passado, quando ele a apelidou de «horrível»? Claro que não. Não só não se esqueceram como fizeram de tudo para que Conan Osíris não passasse à final, começando pelo boicote ao esquema de luzes e sistema de som durante a atuação do português, decorriam ainda os ensaios. Mas argumentos não me faltam para dizer com toda a convicção de que fomos roubados no Festival Eurovisão da Canção 2019. Nem argumentos nem criatividade, mas já lá vamos.

 

Em primeiro lugar, para quem acha que a explicação para a eliminação prematura da atuação portuguesa nesta edição do festival foi o facto de a canção não ter sido cantada em inglês, gostaria de deixar claro que a letra de uma canção que conta com termos como «telele», «escangalhar» e «chibaria» nunca poderia ser cantada noutra língua que não fosse em português, sob pena de se perder a poesia que tanto a carateriza. É poesia sentida, da mais profunda que se pode ouvir, que facilmente perderia o seu sentido se se cometesse o erro de a traduzir. Além do mais, se Salvador Sobral ganhou o festival em 2017 a cantar em português, por que raio é que Conan Osíris não poderia ganhar o festival a fazer exatamente o mesmo? É que até na forma de cantar e de ostentar os tiques nervosos eles foram muito parecidos.

 

Em segundo lugar, ele foi vestido todo de verde. Sim, de verde. Eu sei que muitos podem ter achado o guarda-roupa de Conan Osíris um pouco ridículo, mas a verdade é que, noutros tempos, já alguém aconselhava: «quando quiserem começar a resolver os problemas de Portugal, é fácil: tiramos o vermelho da bandeira e é tudo nosso». Atenção que eu não estou a citar uma pessoa qualquer. Estou a citar um dos maiores gurus das artes performativas em Portugal: Bruno de Carvalho. Para além disso, se uma alface do Lidl é capaz de surfar uma onda da Nazaré, por que raio não haveria de conseguir vencer um simples festival da canção? É que só lhe faltou gritar em alto e bom som: «EU SOU UMA ALFACE DO LIDLLLLLLL!!!». Ás tantas, foi isso que ficou a faltar, caraças! 

 

Por fim, uma pergunta: Como é que alguém com o nome Conchita Wurst vence o Festival Eurovisão da Canção e alguém com o nome Conan Osíris não passa sequer à final do festival? Ao contrário do nome Conchita Wurst, que não passa de uma referência aos dois orgãos sexuais feminino e masculino, Conan Osíris é uma referência a dois nomes sonantes a nível internacional: Conan, um herói de espada que vencia tudo e todos; Osíris, um dos deuses mais populares do Antigo Egipto. Mas estão a brincar connosco ou o quê?!...

 

Enfim, é por estas e por outras que há cada vez menos portugueses a assistirem ao Festival Eurovisão da Canção e, para o ano, quem não assiste sou eu. Quero dizer, este ano eu nem sequer assisti, mas, para o ano, nem sequer comento!

 

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