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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

18
Mai20

Big Brother, baza daí!

Homofobia e sexismo.jpg


Num programa televisivo onde se querem concorrentes genuínos, iguais a si próprios, o Big Brother nomeou um dos concorrentes mais genuínos por alegadas «atitudes sexistas e homofóbicas». O público foi chamado a votar e o resultado da votação não deixou margem para dúvidas: o concorrente acusado de homofobia ficou dentro da casa e o concorrente homossexual saiu. Curiosamente, tudo isto aconteceu ontem, no «Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia»!

 

Vinte anos depois da sua primeira edição, a mais marcante de todas as edições, estreou uma nova edição do Big Brother em Portugal, mas desta vez com algumas alterações e particularidades. E se pensava eu que já tinha falado das principais alterações e particularidades desta edição, no texto intitulado «Big Brother, estás aí?», eis que a principal particularidade, a mais importante de todas elas, só se ficou a conhecer na semana passada. E que particularidade é esta? No Big Brother 2020, os concorrentes não podem ser genuínos...


Parece mentira, mas é verdade. Num programa televisivo que se autointitula de «novela da vida real», onde os concorrentes devem mostrar aquilo que são e conquistar os telespetadores pela sua genuinididade, parece que na nova edição o Big Brother não aceita nem compactua com comportamentos, atitudes, gestos ou linguagem alegadamente «sexistas, homofóbicos, racistas ou xenófobos». E sublinho: «alegadamente» e não «comprovadamente». E quem é que alega se os comportamentos, atitudes, gestos ou linguagem de um concorrente foram «sexistas, homofóbicos, racistas ou xenófobos»? O Big Brother, aquele que pode confrontar toda a gente, mas não pode ser confrontado por ninguém, nem mesmo pelas pessoas que foram alegadamente vítimas atitudes sexistas ou homofóbicas. Já não bastava a polémica em torno da voz do Big Brother, que é a mesma da Voz de outro reality show que não o Big Brother, agora temos uma Voz – quero dizer, um Big Brother – que é déspota e que faz da sua opinião a verdade absoluta. Dentro da casa, ninguém concordou com a interpretação da Voz – quero dizer, do Big Brother –, mas a nomeação do Big Brother por alegadas atitudes sexistas e homofóbicas manteve-se e os telespetadores estiveram a votar até o dia de ontem para decidirem se o concorrente deveria ser expulso ou não. E qual foi a decisão dos portugueses? Que não deveria ser expulso. E não foi.


Ora bem, para além do título deste texto, que já diz tudo sobre aquilo que eu acho do novo «Big Brother», há mais duas "coisinhas" que eu gostaria de dizer:


Em primeiro lugar, gostaria de dizer que acho curioso que o Big Brother não admita comportamentos, atitudes, gestos ou linguagem «sexistas, homofóbicos, racistas ou xenófobos» e tenha colocado dentro da mesma casa um concorrente que se apresentou como alguém «um pouco homofóbico», um concorrente homossexual, um concorrente mulherengo e uma «gaja toda boa». Quero dizer, pelos vistos, parece que colocou mais do que um concorrente homofóbico, mas acho que um deles só foi colocado porque era mulherengo. E só por isto já se percebe qual é o verdadeiro objetivo da estação televisiva de Queluz de Baixo: AUDIÊNCIAS! E não tem mal nenhum. O mal está no facto de a produção do Big Brother querer passar a imagem de que está preocupada em passar bons valores, quando na verdade só está preocupada com as audiências. Mas tendo em conta que a nomeação de um concorrente por sexismo e homofobia não ajudou nas audiências, sugiro à produção do Big Brother 2020 que nomeie um concorrente qualquer por assédio ou abuso sexual. Ou então, por pedofilia. Não têm nenhum padre dentro da casa? Crianças eu já vi pelo menos uma...


[Não têm nenhum padre dentro da casa, mas têm um pastor. Com jeitinho, ainda vai ser nomeado por zoofilia. Ou acham que o Big Brother não reparou na cara de felicidade do pastor quando ele viu uma ovelha dentro da casa? O Big Brother não dorme...]


Em segundo lugar, acho piada que, no caso de Marega, a maioria dos portugueses tenha achado que foi racismo e no caso do concorrente do Big Brother a maioria não tenha achado que foi homofobia ou sexismo. E não digo isto só com base no resultado da votação dos telespetadores do programa. Digo isto com base na opinião de muitos entendidos na matéria, alguns deles homossexuais. Para muitos, o concorrente é preconceituoso e não homofóbico. Tem piada, não tem? Já agora, só para relembrar: no caso de Marega, foi um grupo de adeptos de futebol que insultou um jogador de raça negra de uma equipa rival com palavrões e urros; no segundo caso, foi um concorrente do sexo masculino que "comeu" com os olhos uma concorrente do sexo feminino e discriminou com gestos e comentários um concorrente homossexual. Mas não foram só gestos ou comentários. Formas de pensar também, pois quando uma concorrente perguntou ao concorrente nomeado se lhe incomodava ver dois homossexuais a se beijarem na boca, a resposta não deixou margem para dúvidas: «Se eu estiver sozinho, acho que não me incomoda, mas, se calhar, com um filho, não sei... Eu acho que ia ser estranho». A reação da concorrente  não poderia ter sido melhor: «Ai, meu Deus, então desculpa. Eu peço desculpa do fundo do meu coração, mas tu és homofóbico». Como se não bastasse, a concorrente decidiu fazer a mesma pergunta ao concorrente que diz ser um «pouco homofóbico» e a resposta também não deixou margem para dúvidas: «Faz-me confusão, mas é a vida deles». Ou seja, a homossexualidade faz confusão a muita gente, mas ninguém é homofóbico. E o mesmo poder-se-ia dizer dos homens que acham que devem ter mais direitos do que as mulheres: pode-nos fazer confusão, mas não é machismo. E esta é a forma de pensar do povo português. Não obstante, a votação para a expulsão do concorrente nomeado pelo Big Brother foi bastante renhida e por pouco ele não saiu. E a pergunta que eu faço aos portugueses que votaram a favor da expulsão é: Votaram para ele ser expulso porque não gostaram da atitude dele ou porque o quereriam felicitar pessoalmente? Não percebi... 


Num programa televisivo onde se querem concorrentes genuínos, iguais a si próprios, o Big Brother nomeou um dos concorrentes mais genuínos por alegadas atitudes sexistas e homofóbicas. O público foi chamado a votar e o resultado da votação não deixou margem para dúvidas: o concorrente acusado de homofobia ficou dentro da casa e o concorrente homossexual saiu. Curiosamente, tudo isto aconteceu ontem, no «Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia»!

 

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