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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

03
Mai19

As histórias de um pai e de uma mãe que não sabiam contar histórias...

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Cá em casa, acabaram-se os gritos e as palmadas. Sempre que eu e a minha esposa queremos que a nossa filhota nos obedeça sem fazer birras, contamos-lhe uma história. É uma história para comer a sopa, uma história para dormir, uma história para tomar banho,... Enfim, histórias para tudo e mais alguma coisa, todas elas com uma particularidade: são improvisadas. As histórias têm tido tão bom resultado que eu já só penso em publicar um livro. Até já tenho um título e tudo: As histórias de um pai e de uma mãe que não sabiam contar histórias!

 

Pensava eu que os filhos só se emancipavam uma vez na vida, aos dezoito anos, mas não: os filhos emancipam-se muito antes, aos dois anos, quando deixam de ser bebés e passam a ser crianças. Aos dois anos, os filhos estão ainda muito longe de se verem livres da tutela dos pais e de fazerem o que quiserem e bem entenderem, é certo, mas eles refilam tanto e tentam se impor de tal forma que mais parecem adolescentes rebeldes acabados de atingir a maioridade. Para os adolescentes rebeldes que, mal atingem a maioridade, acham que já podem fazer tudo o que quiserem sem terem de pedir autorização aos pais nem lhes darem quaisquer satisfações, os pais têm uma solução muito simples: pô-los fora de casa. Para as crianças de dois anos que refilam por tudo e por nada e fazem de tudo para que a última "palavra" seja a deles, a solução não é assim tão fácil: pô-los fora de casa é crime; deixar que a última "palavra" seja a deles é um "crime" ainda maior, ainda que não seja punível por lei. Não é punível por lei, mas é condenável. Deixar que a última "palavra" seja a de um filho e não a sua é condenar tanto a vida do filho como a sua própria vida. E é por isso que, mais dia menos dia, são os filhos que colocam os pais fora de casa: não o fazem quando são menores e estão na casa dos pais, fazem-no quando são maiores e os pais estão na sua casa.

 

[Atenção que há pais e pais e alguns deles bem que mereciam ser colocados na rua pelos filhos ainda menores...] 

 

Mas afinal, como é que se consegue contrariar a rebeldia de uma criança de apenas dois anos e fazer com que ela nos obedeça sem fazer birras?

 

Ora bem, se me fizessem esta pergunta há uma semana, eu responderia que era com muitos gritos e palmadas. Hoje, de forma serena, eu respondo: contando-lhe histórias. E não digo isto porque tenho medo de que a Segurança Social tome conhecimento desta publicação e logo me venha retirar a tutela dos meus filhos. Digo isto porque funciona mesmo, por experiência própria. Sempre que eu e a minha esposa queremos que a nossa filhota nos obedeça sem fazer birras, contamos-lhe uma história... improvisada. 

 

Quando não quer comer a sopa: Era uma vez uma menina que não queria comer a sopa...

 

Quando não quer ir dormir: Era uma vez uma menina que não queria ir dormir...

 

Quando não quer tomar banho: Era uma vez uma menina que não queria tomar banho... 

 

Para além de serem eficazes, as histórias improvisadas têm uma grande vantagem: não nos fazem perder muito tempo nem gastar dinheiro em livros. Só para terem a noção do quanto as nossas histórias são eficazes – mais as minhas do que as da minha esposa –, eis a última história que eu contei à minha filhota numa esplanada, enquanto tomava café:

 

– Gilhado...

 

– Gelado?! Tu não podes comer gelado...

 

– Gilhado, gilhado, gilhado, ...

 

– Queres que eu te conte a história da menina que queria um gelado?

 

– Ximmmm...

 

– Era uma vez uma menina que queria um gelado. O papá da menina disse à menina que ela não podia comer um gelado porque fazia dói-dói na barriga, mas a menina não parava de pedir: «gilhado, gilhado, gilhado,...». A menina pediu tanto que o papá da menina comprou um gelado. A menina comeu o gelado e vomitou. Tu queres um gelado?

 

– Não...

 

Cá em casa, acabaram-se os gritos e as palmadas. Sempre que queremos que a nossa filhota nos obedeça sem fazer birras, contamos-lhe uma história. É uma história para comer a sopa, uma história para dormir, uma história para tomar banho,... Enfim, histórias para tudo e mais alguma coisa, todas elas com uma particularidade: são improvisadas. As histórias têm tido tão bom resultado que eu já só penso em publicar um livro. Até já tenho um título e tudo: As histórias de um pai e de uma mãe que não sabiam contar histórias!

 

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