As coisas que os bebés aprendem com as mães... e que alguns pais não gostam!

Depois de três semanas de férias intensivas e bem merecidas com a minha esposa e a minha filhota – as nossas primeiras férias, todos juntos –, eis que a minha esposa regressou ao trabalho e deixou-me em casa, sozinho, desempregado, com uma filhota de dez meses para cuidar. E agora?
Na verdade, ficar sozinho com um bebé não é algo de novo para mim, pois, nos últimos cinco meses, fui eu que fiquei em casa, sozinho, a cuidar da minha filhota. Assim que a minha filhota nasceu, eu perdi o emprego que tinha a tempo inteiro e já só fiquei com um outro que tinha a tempo parcial, depois das 18 horas. Enfim, uma sorte, foi o que foi.
Mas então, se eu já estou assim tão habituado a cuidar da minha filhota, o que é que tanto me preocupa agora que a minha esposa regressou ao trabalho?!
O que me preocupa não tem propriamente que ver com o regresso dela ao trabalho e eu ficar sozinho em casa, mas sim com o facto de a minha/nossa filhota ter voltado aos vícios e baboseiras da mamã, que foi a pessoa com quem ela passou mais tempo nestas últimas três semanas.
[Sim, é verdade. Quando eu disse «férias intensivas e bem merecidas», queria dizer «intensivas em descanso e bem merecidas por mim», não porque a minha esposa não merecesse descansar e/ou gozar três semanas de férias da melhor forma possível, mas porque há muito que eu ansiava por umas férias, livres de todo aquele trabalho que a minha querida filhota me tem dado, a toda a hora, para: mudar-lhe fraldas, dar-lhe banho, fazer-lhe o comer, dar-lhe o comer, limpar o que ela sujou, pegar-lhe ao colo, acordar durante a noite e ir para a sala readormecê-la, de preferência, sem acordar a minha esposa,... E não é que a minha esposa não me ajudasse sempre que saía do seu local de trabalho e vinha para casa, mas digamos que não era a mesma coisa, não pelo menos enquanto ela estava no local de trabalho.]
Mas, afinal, o que é que aconteceu nestas três últimas semanas para que eu ache que a minha esposa mimou demasiado a minha/nossa filhota?
Pois bem, tudo, quase tudo. Em apenas três semanas, foi-se todo um trabalho de meses pela água abaixo, um trabalho que previa dar frutos muito em breve, mas que, agora, só dá birras, choros, respingos de sopa e papa por toda a cozinha e água do banho derramada pelo chão do quarto que mais parece que, de repente, tenho uma inundação dentro de casa.
E antes que alguém pense e/ou escreva «não são mimos, mas sim aprendizagens que fazem parte do processo de desenvolvimento de qualquer bebé», leiam o que ela aprendeu com a mãe e digam-me se eu tenho ou não razão.
No banho: Aprendeu a sentar-se repentinamente na banheira (Shantala), cheia de água, originando "pequenos" tsunamis capazes que fazerem flutuar os poucos móveis que ela tem no quarto, nomeadamente o guarda-roupa que está embutido na parede. Aprendeu, também, a bater com os pés na água quando lhe estamos a tirar da banheira, mas isso, quando muito, só resulta em pequenos respingos de água... até o teto.
A comer: Aprendeu a rodar a cabeça de um lado para o outro, como o carrossel (em miniatura) que ela tem no quarto, com a diferença de que ela roda a cabeça muito mais rápido do que o carrossel, sem parar, nem por um segundo, não pelo menos enquanto a papa/sopa não acaba e/ou não está toda respingada pelo chão, móveis e paredes BRANCAS da cozinha.
A brincar: Aprendeu a atirar e a espalhar pela sala todos os brinquedos que tem, porque sabe que há sempre alguém por perto que há de recolhê-los e voltar a colocá-los no tapete, onde ela está, para ela voltar a atirá-los de novo, vezes sem conta. E parar de repetir este processo vezes sem conta não é uma opção para o adulto que estiver por perto, caso contrário, nem algodão molhado nos ouvidos livrá-lo-à de uma otite severa, tal é o volume dos seus gritos.
E antes que insista(m) em pensar e/ou escrever «Sim, isso faz parte do processo de desenvolvimento de qualquer bebé e a mãe não tem culpa», fiquem sabendo que eu vi... Sim, eu vi a minha esposa a rir-se e a dar-lhe beijinhos sempre que a nossa filhota fazia algumas destas coisas, porque, segundo ela, «é sinal de inteligência». Só espero que os sinais de inteligência não sejam tão ostensivos quando ela for para a escola, pois a última coisa que eu quero é ser chamado ao gabinete do(a) diretor(a) da escola porque ela é sobredotada!