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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

12
Mai19

Ai, a greve dos motoristas de matérias perigosas...

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Em Portugal, os motoristas de «matérias perigosas» ganham pouco porque conduzir um camião-cisterna com matérias inflamáveis, explosivas ou tóxicas não é assim tão perigoso. Perigoso é conduzir um Mercedes topo de gama com políticos dentro. E é por isso que os motoristas do Governo ganham três vezes mais do que os motoristas de matérias perigosas. O problema é a greve. Se os motoristas do Governo fazem greve, nada acontece, mas se os motoristas de matérias perigosas fazem greve, os transportes rodoviários – mas não só – param por falta de combustível. Do ponto de vista ambiental, seria excelente, mas parece que a ideia não agrada a ninguém, nem mesmo ao Governo. E o mais estranho é que andar a pé faz bem à saúde...

 

No passado mês abril, os motoristas de matérias perigosas fizeram greve durante três dias e, no segundo dia, o cenário já era este: abastecimento de combustível cortado nos aeroportos de Lisboa e Faro, pelo menos um voo da TAP cancelado, bombas a ficarem sem gasóleo nem gasolina um pouco por todo o país, enormes filas em postos de Lisboa e Setúbal. Menos de um mês depois, os motoristas de matérias perigosas ameaçam fazer uma nova greve, desta vez por tempo indeterminado. Se com uma greve de apenas três dias o cenário foi caótico, imagino qual não será o cenário se a greve durar uma semana, quinze dias ou um até mesmo um mês. Para mim, que me desloco todos os dias a pé para o meu local de trabalho e para a escola da minha filhota, é-me indifierente, mas para as pessoas que se deslocam de carro e/ou de transportes públicos, uma nova greve dos motoristas de matérias perigosas pode se tornar num verdadeiro pesadelo. Na verdade, muitas seriam as vantagens de uma paralisação geral dos meios de transportes rodoviários, mas já lá vamos.

 

Mas afinal, o que tanto reivindicam os motoristas de matérias perigosas?

 

Grosso modo, os motoristas de matérias perigosas reivindicam melhorias salariais, alterações ao contrato coletivo de trabalho no que diz respeito ao trabalho extraordinário e noturno e uma categoria profissional própria. No que diz respeito às melhorias salariais, os motoristas de matérias perigosas – que, atualmente, têm um salário-base de 630 euros, na categoria de «motoristas de pesados» – reivindicam um salário-base mínimo correspondente a dois salários mínimos, ou seja, 1.200 euros. Reivindicam também uma atualização do subsídio de risco que, atualmente, está fixado nos 7,50 euros. E é aqui que eu pergunto:

 

Dois salários mínimos para um motorista de pesados transportar matérias que contribuem para a poluição e destruição do meio ambiente?!

 

Só podem estar a brincar... É que nem dois salários mínimos nem um. Quanto a mim, era despedí-los a todos e extinguir o posto de trabalho por uma causa bem maior do que a sua sobrevivência: pela nossa saúde, pelo meio ambiente e pelo futuro das gerações vindouras e da humanidade. Além do mais, que história é essa do subsídio de risco? Que eu saiba, a condução de um camião-cisterna com matérias inflamáveis, explosivas ou tóxicas não oferece qualquer risco para quem o conduz. Quando muito, oferece risco para os outros condutores, nomeadamente para os que começam a tremer por todos os lados, mal veem um "bicho" destes a vir na sua direção, mas aí não haveria dinheiro que chegasse para atribuir subsídios de risco a tantas mulheres. Na verdade, conduzir um camião, qualquer ele que seja, não só é bastante seguro como é confortável e prazeroso: lá em cima, quase no céu, sentado numa cadeira estofada, com molas, longe de todos os perigos, com uma vista espetacular sobre os locais por onde se passa e com um cartaz de uma mulher nua nas suas costas para quando se precisar de esticar os músculos e relaxar.

 

Quanto a mim, a greve dos motoristas de matérias perigosas não só é infundada como é inoportuna e de muito mau gosto, pois profissões de risco é o que mais não faltam em Portugal e não vejo ninguém a fazer greve para pedir aumentos do salário e/ou de subsídios de risco. Assim, de repente, estou-me a lembrar dos motoristas do Governo, que todos os dias arriscam a sua vida ao transportarem políticos de um lado para o outro, dentro de um Mercedes topo de gama, sem saberem qual é o dia que vão ser cercados e/ou apedrejados por populares furiosos. Isto para não falar do risco que é transportar políticos balofos, que muito dificultam a condução dos motoristas e colocam as suas vidas em perigo.


– Senhor Doutor Mário Soares, se não se importar, pode, por favor, se sentar no assento do meio e colocar o cinto? É por causa das curvas fechadas...

 

[Que Deus o tenha, se conseguiu arranjar espaço...]

 

Aos motoristas do Governo, não lhes são dados camiões com cadeiras estofadas com molas. Dão-lhes um Mercedes topo de gama, que devem manter limpos e lavados, como novos, a troco de um subsídio de pouco mais de quarenta euros por mês. Sim, leram bem: pouco mais de quarenta euros por mês. Como se quarenta euros desse para manter o carro limpo e lavado durante um mês. Como é óbvio, não dá, mas lá têm os motoristas de improvisar e passar um paninho todos os dias no carro, para não correrem o risco de serem surpreendidos por aqueles indivíduos que não perdem uma oportunidade de escrever nos vidros de um carro poeirento «lava-me porco». Isto, sim, é um risco sério, mas para colmatar este risco, só mesmo uma miséria de quarenta euros. A sorte destes motoristas é que o seu salário é bem mais generoso do que o dos motoristas de matérias perigosas. Aliás, se há coisa que se percebe quando se compara as folhas de vencimento de um motorista do Governo com as folhas de vencimento de um motorista de matérias perigosas é que é muito mais perigoso andar com políticos do que com materiais inflamáveis, explosivos ou tóxicos. Se assim não fosse, a discrepância entre as duas folhas de vencimentos não seria tão grande.

 

Atualmente, um motorista do Governo ganha três vez mais do que um motorista de matérias perigosas, já com os subsídios incluídos. E é por isso que eu sugiro aos motoristas de matérias perigosas: em vez de fazerem greve para reivindicarem uma categoria profissional própria, com um salário igual a duas vezes o salário mínimo nacional, façam greve para reivindicarem uma categoria profissional de motoristas de pesados no Governo, com um salário igual a quase quatro vezes o salário mínimo nacional. A ideia seria o Governo substituir os Mercedes topo de gama por camiões de caixa aberta, com grua, que seriam conduzidos por vocês para os transportarem com toda a pompa e circunstância para onde quer que eles fossem. É que eles já nem precisariam de esperar que vocês lhes abrissem a porta. Era pôr a grua a funcionar e... Pimba, estavam dentro e fora do veículo – ou até mesmo dentro e fora de um edifício – num instante. Para além disso, do ponto de vista financeiro, seria uma forma de o Governo poupar dinheiro em combustível, já que eles poderiam ser transportados aos magotes. 

 

Enfim, com razão ou sem razão, a verdade é que os motoristas de matérias perigosas já entregaram um pré-aviso de greve ao Governo e toda a gente já começa a ficar alarmada, sem saber o que fazer, incluindo o próprio Governo. Sinceramente, não entendo o Governo. Por um lado, aprovam medidas para se andar cada vez menos de carro e para a emissão de gases poluentes diminuir, por outro, tenta evitar ao máximo que os condutores de matérias perigosas façam greve e os transportes rodoviários não possam circular por falta de combustível. Quanto às pessoas, também não entendo os motivos para tanto alarme. Não ouviram dizer que andar a pé faz bem à saúde? Além do mais, o verão está à porta e andar a pé faz emagrecer...

 

Em Portugal, os motoristas de «matérias perigosas» ganham pouco porque conduzir um camião-cisterna com matérias inflamáveis, explosivas ou tóxicas não é assim tão perigoso. Perigoso é conduzir um Mercedes topo de gama com políticos dentro. E é por isso que os motoristas do Governo ganham três vezes mais do que os motoristas de matérias perigosas. O problema é a greve. Se os motoristas do Governo fazem greve, nada acontece, mas se os motoristas de matérias perigosas fazem greve, os transportes rodoviários – mas não só – param por falta de combustível. Do ponto de vista ambiental, seria excelente, mas parece que a ideia não agrada a ninguém, nem mesmo ao Governo. E o mais estranho é que andar a pé faz bem à saúde...

 

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