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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

23
Abr20

A telescola e os professores...

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De repente, parece que os pais passaram a saber mais do que os professores. Quando os filhos andavam na escola, nunca estavam disponíveis nem tinham conhecimento para ajudarem os filhos nos trabalhos para casa. Com a telescola, não só passaram a ter disponibilidade para assistir às aulas dos filhos como parece que se transformaram em pessoas eruditas, com conhecimentos suficientes para criticar os programas das mais variadas disciplinas e identificar os erros dos professores. Ai, se a Internet apanhasse um vírus e o Google deixasse de funcionar...

 

Sempre que eu vejo alguém defender fervorosamente os professores de críticas à sua competência, conhecimentos e profissionalismo, fico muito preocupado, não porque eu ache que eles são todos maus e devam estar sujeitos à crítica generalizada da população, mas porque há efetivamente um défice muito grande entre os professores muito bons e os professores muito maus. E o que me preocupa não é o facto de existirem professores muito bons, como é óbvio. O que me preocupa é o facto de existirem professores muito maus, professores que não gostam do que fazem nem fazem qualquer esforço para que os alunos gostem das matérias que eles próprios ensinam. Mais preocupante ainda é saber que há professores tão maus ao ponto de não dominarem a própria matéria que ensinam. Têm dúvidas? Cliquem na hiperligação anterior, a vermelho, e depois digam-me alguma coisa...


Sim, eu sei que existem maus profissionais em todas as áreas, mas preocupa-me muito mais que existam maus profissionais que são responsáveis pelo ensino e formação de crianças que serão um dia adultos e ocuparão cargos importantes nas mais diversas áreas da nossa sociedade. Assim, de repente, estou-me a lembrar dos políticos. E, curiosamente, foi da boca de um deles que saíram os últimos elogios aos professores. Poder-se-ia pensar que se trata de um político que simpatiza bastante com os professores, mas a verdade é que, noutros tempos, este mesmo político também já criticou os professores, se bem que por outros motivos que não competência. Já os professores, criticam constantemente a competência dos nossos governantes sempre que se inicia um novo ano letivo. Os professores queixam-se de terem maus políticos, mas a verdade é que, em muitas situações, os políticos são o que são porque tiveram maus professores. Mas não foi para falar mal dos professores nem dos políticos que eu decidi escrever este texto. Muito pelo contrário. Foi para falar bem...


Em primeiro lugar, gostaria de dizer que o primeiro-ministro, António Costa, esteve bem na abertura do último debate quinzenal na Assembleia da República, ao deixar uma mensagem de apoio e solidariedade com os professores da telescola, que «deixaram de estar no recato da sua sala» e passaram a estar sujeitos à crítica, «até à crítica cruel, mesquinha, que as redes sociais costumam ser pasto». Tal como o primeiro-ministro disse, estes professores não são profissionais de televisão nem atores de teatro ou de cinema. São professores que tinham o hábito de ensinar os seus alunos cara a cara, mas que, devido à pandemia, estão a tentar ensinar à distância através de uma câmara que os filma e expõe perante milhares e milhões de pessoas, professores que estão sujeitos ao escrutínio da população em geral, até mesmo daquelas pessoas que confundem uma telenovela com um noticiário. Se, por um lado, é bom que os pais tenham disponibilidade para assistirem às aulas dos filhos e avaliarem o desempenho dos professores e do ensino no geral, por outro é estranho que esta disponibilidade e dedicação só tenha surgido agora. 


De repente, parece que os pais passaram a saber mais do que os professores. Quando os filhos andavam na escola, nunca estavam disponíveis nem tinham conhecimento para ajudarem os filhos nos trabalhos para casa. Com a telescola, não só passaram a ter disponibilidade para assistir às aulas dos filhos como se transformaram em pessoas eruditas, com conhecimentos suficientes para criticar os programas das mais variadas disciplinas e identificar os erros dos professores. Ai, se a Internet apanhasse um vírus e o Google deixasse de funcionar...


Atenção que eu não quero com isto dizer que, em tempos de pandemia, não se pode criticar os professores. Já me bastam as pessoas que acham que não se pode criticar os profissionais de saúde, porque estão a trabalhar mais do que é normal. Na verdade, eu sou daqueles que acha que podemos e devemos criticar tudo o que achamos que está mal em qualquer momento. O problema não está nas críticas. O problema está nas pessoas, naquelas que criticam sem moral nem conhecimento suficientes para críticarem o que quer que seja no ensino. Além do mais, é muito fácil criticar alguém que se expõe em frente a uma câmara. Difícil é não cometer erros quando se está em terreno hostil. E nem mesmo os professores muito bons se estão livres de cometer erros. Invertêssemos a câmara e expuséssemos as pessoas que criticam os professores da telescola e logo veríamos sobre quem recairiam as críticas. Enfim, costuma-se dizer que, quando se aponta um dedo a alguém, três dedos ficam apontados para nós e é verdade. Os "professores de sofá" apontaram o dedo aos professores da telescola e três dedos ficaram apontados para eles: o dedo do Governo, o dedo dos professores e, agora, o meu dedo!

 

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