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Sem Sentido

Um blogue sem sentido... de humor!

24
Mar22

A guerra e o mundo...

Guerra na Ucrânia.jpg

E eu a pensar que a maior ameaça à humanidade seriam os extraterrestres?!... Coitados, devem estar algures no universo a observar e a tentar perceber como é que, em pleno século XXI, já depois de o mundo ter vivenciado duas guerras mundiais e assistido a outras tantas guerras e conflitos internacionais, a humanidade deixou que um neandertal conseguisse criar condições para ameaçar, subjugar e dominar o mundo de uma forma nunca antes vista. O facto de ele ter quase 70 anos só agrava a situação. É que ele não tem nada a perder com o fim da humanidade. Ele próprio já tem os dias contados... 

 

Em pleno século XXI, uma potência mundial invadiu um país menor sem qualquer justificação plausível e fez o mundo ocidental regredir um século no seu tempo. Pior: ameaçou o mundo inteiro com «consequências nunca antes vistas» e fez com que o mundo todo ficasse com medo de intervir a favor do país invadido. E nem com protestos populares levados a cabo pelos próprios cidadãos do país invasor se o país invasor recua e a guerra acaba. Muito pelo contrário. Os protestantes são presos e a guerra continua. E continuará até quando? Muito provavelmente, até os combatentes do país invadido baixarem os braços e se darem por vencidos ou até os militares do país invasor porem fim à vida dos militares e civis que lutam diariamente em defesa do país invadido. Ou então, até os países da NATO e os seus aliados se chegarem à frente e intervirem militarmente a favor do país invadido, se bem que esta hipótese levaria a uma terceira guerra mundial, algo que é manifestamente indesejado por todos. Mas afinal, quem são os protagonistas desta guerra e como foi que tudo isto começou?

 

No passado dia 24 de fevereiro, a Rússia invadiu a Ucrânia, um país soberano, independente e democrático, com o objetivo de «desmilitarizar e desnazificar» o país e «defender as pessoas que, há oito anos, sofrem perseguição e genocídio pelo regime de Kiev» para que, «livres desta opressão», «os ucranianos possam escolher livremente seu futuro». Sim, eu sei: parece uma piada, daquelas que dá vontade de rir às gargalhadas, mas a verdade é que esta foi a justificação apresentada pelo presidente da Rússia para a invasão à Ucrânia e isto não tem piada nenhuma. Ah! ah! ah!... Desculpem, mas não consigo deixar de rir sempre que me lembro que a pessoa que diz que quer libertar os ucranianos da «opressão» e fazer com que «possam escolher livremente o seu futuro» é a mesma que manda prender cidadãos do seu próprio país por participarem em manifestações pacíficas contra as suas decisões. Mas há mais. No esboço do «plano de paz», consta que a Rússia admite cessar fogo se a Ucrânia se declarar "neutra" e desistir da adesão à NATO. E o que é a NATO?

 

A NATO [OTAN, em português: Organização do Tratado do Atlântico Norte; em inglês: North Atlantic Treaty Organization], também conhecida por «Aliança Atlântica», é uma aliança de países da Europa e da América do Norte que tem por objetivo «garantir a liberdade e segurança dos seus membros através de meios políticos e militares». A nível político, a NATO «promove valores democráticos» e permite a «consulta e cooperação entre os seus membros em matérias relacionadas com segurança e defesa, de modo a poderem resolver problemas, fortalecer relações e, a longo prazo, prevenir conflitos». A nível militar, a NATO visa a «resolução pacífica de conflitos». Não obstante, se os esforços diplomáticos falharem, existem mecanismos militares para gestão de crises. Estas operações são conduzidas sob a égide do artigo 5.º do Tratado de Washington ou sob o mandato da Organização das Nações Unidas, isoladas ou em cooperação com outros países ou organizações internacionais. E porque é que o presidente russo não quer que a Ucrânia faça parte da NATO? Porque considera que a presença crescente da NATO perto das fronteiras da Rússia constitui uma ameaça à sua segurança. E tem razão. O crescimento da NATO constitui uma ameaça, não à sua segurança, mas à concretização das suas verdadeiras intenções: transformar a Rússia na maior potência económica mundial, nem que para isso tenha recorrer ao seu poderio militar e arsenal composto por mais de 900 mil soldados no ativo e 6 mil ogivas nucleares prontas para serem ativadas, se assim ele o entender. Olhando para estes números, percebe-se logo porque é que os países da NATO não entraram nesta guerra a favor da Ucrânia, pois uma intervenção militar dos países da NATO contra a Rússia levaria a uma terceira guerra mundial com consequências devastadoras para a humanidade. E eu digo a favor da Ucrânia – e contra a Rússia – porque, como é óbvio, a razão está do lado da Ucrânia, mas há quem ache o contrário: que a razão está do lado da Rússia, independentemente das centenas de mortos que já provocou, incluindo dezenas de crianças. E isto é preocupante. 

 

Já não bastava termos de lidar com um louco que manda invadir países sem justificação e ameaça os restantes com uma guerra nuclear, ainda temos de lidar com pessoas que acham que a Rússia teve motivos para invadir a Ucrânia. E não me refiro aos militares russos, aos bielorrussos ou líderes ditadores espalhados um pouco por todo o mundo. Destes, já era de esperar. Refiro-me aos comuns mortais que pouco ou nada sabem de história, mas que a invocam para lembrar que a Ucrânia pertencia à antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e que, por isso, deveria ser aliada da Rússia e não de países "inimigos", nomeadamente dos que pertencem à NATO. Há quem chegue mesmo a comparar a relação entre a Rússia e a Ucrânia como uma relação conjugal entre marido e mulher, dizendo que, se uma mulher trai, o marido tem de agir e não se fazer passar por «corno manso». Pois bem, em primeiro lugar, a Rússia e a Ucrânia não são "casadas". Quando muito, já foram, mas resultou num divórcio. E que eu saiba, depois de um divórcio, tanto um como o outro são livres de fazerem o que quiserem e bem entenderem, mas parece que há homens que acham que as ex-mulheres continuam a ser suas propriedades, nem que para isso eles tenham de andar com uma arma atrás. Em segundo lugar, mesmo que fossem "casados" e houvesse traição, o traído nunca poderia fazer uso da força para violentar e oprimir o "traidor" por mais que lhe apetecesse. E isto serve quer para numa relação diplomática entre países quer para uma relação conjugal entre duas pessoas. Por outro lado, há pessoas que aplaudem o facto de os ucranianos não baixarem os braços e lutarem até a morte, sozinhos, desamparados, e isso também me parece bastante preocupante. Em tempo de guerra não se limpam armas, mas numa guerra desigual, em que o "vencedor" só pode ser um – o mais forte –, o melhor mesmo é baixar as armas e agarrar-se àquilo que mais importa nesta vida: à própria vida e à vida daqueles que mais se ama!

 

Como é óbvio, quem está mal nesta guerra não são os ucranianos. São os russos. Como é óbvio, condeno a atitude de Vladimir Putin e dos militares russos ao invadirem um país livre e independente que nada fez de mal. O que está em causa não é a razão. A razão está do lado da Ucrânia. Nem condeno os ucranianos por lutarem e defenderem aquilo que é deles por direito. Nada está mal na luta dos ucranianos. O que está mal é ser uma luta desigual com um "vencedor" já anunciado. E porquê? Porque não há forma da Ucrânia "vencer" esta guerra sozinha. Sem o apoio internacional, é uma guerra perdida. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, bem tenta fazer pressão junto dos parlamentos europeus e norte-americanos para que ajudem a Ucrânia, mas o máximo que ele tem conseguido são aplausos. O que já não é mau. Aliás, muito pelo contrário. É bom que Volodymyr Zelensky tenha noção da importância dos aplausos. Em Portugal, se não fossem os aplausos aos profissionais de saúde, teríamos morrido todos durante a pandemia... Resta, portanto, aos países da NATO e aliados continuarem a aplicar sanções que penalizem severamente a atividade económica da Rússia, na expetativa de que Valdimir Putin não encare estas sanções como uma ameaça à sua segurança e faça jus à suas ameaças com ataques militares e bombas nucleares um pouco por todo o mundo, que é o mais provável.

 

E eu a pensar que a maior ameaça à humanidade seriam os extraterrestres?!... Coitados, devem estar algures no universo a observar e a tentar perceber como é que, em pleno século XXI, já depois de o mundo ter vivenciado duas guerras mundiais e assistido a outras tantas guerras e conflitos internacionais, a humanidade deixou que um neandertal conseguisse criar condições para ameaçar, subjugar e dominar o mundo de uma forma nunca antes vista. O facto de ele ter quase 70 anos só agrava a situação. É que ele não tem nada a perder com o fim da humanidade. Ele próprio já tem os dias contados... 

 

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